25 de janeiro de 2017

PROJETO: TRABALHO COM FRASES E MICROCONTOS



PROJETO: TRABALHO COM FRASES E MICROCONTOS
Profª. Divina de Jesus Scarpim

Justificativa:

Constantes dificuldades são encontradas pelos professores de português quando tentam interessar os alunos por textos longos e, principalmente, quando tentam trabalhar pontos e tópicos de gramática (ortografia, fonética, sintaxe) a partir de textos longos, como os que costumeiramente estão presentes nos livros didáticos. Em geral a maior parte dos alunos sequer lê os textos apresentados e, quando o fazem, têm dificuldade para ler com a devida atenção e dessa forma estabelecer as relações semânticas muitas vezes solicitadas pelo próprio conteúdo do texto. Pensando nesses problemas, o projeto ora apresentado vem propor o uso de textos curtos como opção para o estudo mais acurado da língua portuguesa em sala de aula. Nesse primeiro momento a proposta é trabalhar com frases, a partir das quais se pode ensinar principalmente, mas não apenas, as características dos textos de informação, propaganda, argumentação e dissertação; e com microcontos, a partir dos quais se pode ensinar principalmente, mas não apenas, as características da narração.

Vantagens:

Textos curtos, como frases e microcontos, podem, em uma única aula, sem grandes dificuldades e oralmente, ser lidos, relidos, desenvolvidos, debatidos, ampliados, extrapolados, relacionados uns aos outros, relacionados a conhecimentos prévios, provocar oportunidades de aquisição de novos conhecimentos, oportunizar temas para pesquisa, despertar interesse por determinados assuntos, divertir, ser objeto de demonstração prática de diversas características peculiares da linguagem e seu uso, entre outras possibilidades, sem cansar ou aborrecer os alunos e, com sorte e cuidado, fazer com que eles mal percebam que estão aprendendo e não apenas tendo uma aula “diferente”.

Público alvo:

Alunos do sexto ao nono ano do Ensino Fundamental II e alunos do primeiro ao terceiro ano do Ensino Médio.

Obs: Na verdade, cuidando da seleção dos textos usados e da forma de apresentá-los, o projeto, com poucas alterações, pode ser aplicado a quaisquer séries. Mesmo às classes de alunos não alfabetizados.

PROPOSTA INICIAL
Que pode ser adaptada a cada turma e professor

Material necessário:

Além dos eternamente disponíveis “giz e saliva”, pode-se desenvolver esse projeto apenas com os textos e dicionários. Caso a escola conte com mais recursos, podem ser usados muitos outros materiais como lápis e canetas coloridas, papeis diferentes, como cartolinas, papel cartão e outros; e até mesmo computadores e vídeos. Dependendo do(a) professor(a), da escola e das turmas.

Tempo necessário:

Todo o ano letivo, sendo o primeiro semestre com frases e o segundo com microcontos.

Obs: O projeto pode levar quanto tempo o professor julgar necessário, e pode, inclusive, ser intercalado com outros projetos e com outros procedimentos pedagógicos, a critério do(a) professor(a).


Descrição:

A cada dia o(a) professor(a) colocará uma frase (primeiro semestre) ou um microconto (segundo semestre) no quadro e trabalhará com os alunos a leitura, leitura em voz alta, compreensão, características, etc.
Dependendo da frase usada e da opção do(a) professor(a), este poderá solicitar que os alunos, em sala, procurem no dicionário eventuais palavras desconhecidas, que, em casa, pesquisem algo a respeito do tema tratado, do autor da frase, do conhecimento prévio necessário para o completo entendimento da frase, e/ou outras possibilidades que surgirem.
Caso o tema tratado na frase dê essa oportunidade, o professor poderá ainda solicitar dos alunos uma produção de texto, que pode tanto ser uma redação quanto um texto curto aos moldes da própria frase apresentada.

Obs: Caso o(a) professor(a) esgote as extrapolações e estudos paralelos propiciados por aquela frase antes do final da aula, pode usá-la para criar, junto com os alunos, um “desafio” no estilo dos que vêm em revistas de palavras cruzadas como as do grupo Coquetel ou Recreativa e leva-lo a uma outra turma para que alunos que não conhecem a frase resolvam o problema. Ou pode ainda, colocar outra frase no quadro e começar novas explorações.

Avaliação:

Todo o processo de avaliação, ou avaliações, deve ficar a critério do(a) professor(a) uma vez que as atividades solicitadas a partir das frases trabalhadas vão depender das próprias frases e do conteúdo que o(a) professor(a) vai trabalhar a partir delas.

Exemplo de desafio:

AO CAIR DAS LETRAS

As letras de cada coluna caem para as casas diretamente abaixo delas, mas não necessariamente na ordem em que estão. Depois da transposição das letras nas casas corretas, teremos na parte de baixo do esquema um pensamento do teólogo e filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard (1813-1855).

A
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C


A

S







































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Resposta:

A porta da felicidade abre só para o exterior, quem a força em sentido contrário acaba por fechá-la ainda mais.





EXEMPLO DE FRASE E POSSIBILIDADES DE TRABALHO:


Frase:

Se você se sente só é porque construiu muros em vez de pontes.
Joseph F. Newton


Sugestões de atividades:

O(a) professor(a) começa colocando apenas a frase no quadro (sem o nome do autor) e pedindo para que os alunos a leiam. Depois pergunta quem entendeu, quem não entendeu. Ouve as respostas, pergunta quem concorda, levanta possibilidades. Aproveita para mostrar que as palavras “ponte” e “muro” estão sendo usadas no sentido figurado e que são metáforas. Define metáfora, pergunta metáfora de que são as duas palavras em questão. Enfim, a compreensão e a extrapolação livre dependem da turma e do(a) professor(a) e essa atividade pode dar muitos frutos.

Em seguida o(a) professor(a) pode ensinar uma palavra nova e seu significado: A palavra “paráfrase” e criar, junto com os alunos, uma ou mais paráfrases da frase que acabaram de ler e oferecer “um pontinho” aos alunos que trouxerem o nome do autor da frase.

Na leitura das próximas frases, o(a) professor(a) pode pedir paráfrases por escrito como atividade valendo nota.

A correção das paráfrases no quadro e o pedido da pesquisa do nome do autor da frase podem se tornar uma atividade frequente.

            O(a) professor(a) pode propor, por exemplo: “Agora vamos ler a gramática da frase” e perguntar por que o “porque” da frase está junto? Por que o verbo “construir” está no singular? A quem esse “se” se refere? Como ele se chamaria em “gramatiques”? Por que seu “nome em gramatiques” é esse?

            No final o(a) professor(a) pode ensinar os alunos a elaborarem o problema “Ao cair das letras”, construindo-o com eles, pedir que alguém o copie do quadro e levar o problema para começar o mesmo trabalho, a partir dele e não da frase, em outra turma.

            A partir do estudo de frases é possível também trabalhar temas transversais, como preconceito, intolerância, cidadania, política, história; ou seja, é possível encontrar e usar frases de pensadores, filósofos e estudiosos de qualquer tema relevante que se queira trabalhar, incluindo temas usados nas redações de vestibulares e ENEM.

            É aconselhável, para que a atividade não se torne tediosa, incluir frases humorísticas com frequência. Outra forma de tornar a atividade mais interessante é pedir, ou aceitar, que os próprios alunos coloquem no quadro frases que eles querem que sejam trabalhadas. É comum que se ofereçam para isso e agrada muito a eles que esse oferecimento seja aceito.

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