22 de setembro de 2018

MINHA EUTANÁSIA


Não vou fazer mais nenhum tipo de exame preventivo! Sem Papanicolau, sem mamografia, sem nenhum dos exames que tenho feito anualmente desde a adolescência. Ano passado foi a última vez. Estava tudo bem.
E por que não farei mais esses exames? Porque quero ter o direito à eutanásia.
Não, não é uma espécie de protesto ou greve para que se legalize a eutanásia no Brasil, embora eu gostasse muito que o fizessem. Não é nada disso.
Apenas aconteceu que andei pensando e concluí que, aos quase 60 anos, não quero correr o risco de viver de “bônus”. Se tiver uma doença mortal quero morrer dela e não ficar tentando ganhar mais um tempo de vida fazendo tratamentos agressivos e caros em um corpo já naturalmente fragilizado pela idade.
Se tiver câncer não quero ficar sabendo até que seja tarde demais para qualquer tratamento ou transplante. Não quero fazer quimioterapia, radioterapia ou cirurgia que me tire um pedaço do corpo com a esperança de que o câncer vá embora com ele e não volte a aparecer em outro lugar.
Prefiro viver da melhor maneira possível pelo tempo que for possível viver ignorando a presença de um tumor.
Não estou, de forma alguma, tentando dizer que todo mundo, ou mesmo que alguém, deve agir como eu. Não tenho nem quero ter o direito de decidir como quem quer que seja deva decidir viver ou morrer. Quero decidir apenas por mim.
E chamo de eutanásia porque é assim, a meu ver, que deve ser chamada a decisão de “deixar ir” quem não quer “ficar”, e eu já decidi que, no caso de uma doença grave e invasiva, não quero “ficar”. Como não estou tentando morrer, pelo contrário, torço muito para não ter essa doença, não posso chamar o que estou fazendo de suicídio.
Não estou com intenção de me matar, estou decidindo me deixar morrer; e isso apenas no caso de uma doença grave, como o câncer.

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