22 de fevereiro de 2021

LINGUAGEM NEUTRA



Não importa o que o linguista "phodástico" diz
Essa ninguém diante do linguista "phodástico"
Essa euzinha inútil que nem atua mais
Como professora de português
Viu que com um pouquinho só de esforço
Consegue usar a língua portuguesa
De modo a abarcar todas as pessoas
Sem ofender ou excluir ninguém
Então eu vou SIM fazer esse esforço!
Não preciso mudar a língua portuguesa
Não preciso alterar nenhum vocábulo
Não preciso mais do que um pequeno esforço
Basta um certo cuidado na hora de escrever
Priorizar palavras inclusivas que a língua já tem
Como a palavra "pessoa" em lugar de "homem"
Quando me refiro a toda a humanidade
Aliás a palavra "humanidade" também é boa!
Basta tentar evitar o masculino "neutro"
Que é SIM marca do machismo estrutural
Por mais que o linguista "phodástico" negue
Por mais que ele apele para uma língua
Que muitos críticos da linguagem neutra
Nem estudaram nem conhecem
Por mais que ele fale em "declinação"
Palavra estranha a muitas dessas pessoas
Que dizem amém para o linguista "phodástico"
Estou preparando um livro de poemas
E estou demorando mais do que o previsto
Porque estou revendo meus textos
E adaptando todos à linguagem neutra
Não “desvirtuei” nenhuma palavra até agora
E já passei da metade!

21 de fevereiro de 2021

CARNAVAL E FILME

 


Não sei quanto a você, mas eu nunca fui entusiasta dessa festa, sempre gostei do feriado, como sempre gostei de todos os feriados, mas a festa mesmo nunca me atraiu. Quando jovem eu brincava de ameaçar meu pai dizendo: "Periga de a gente se encontrar em algum salão!". É que eu soube que meu pai (um "galinheiro", típico da sociedade machista), costumava ir a bailes de salão. Ele ficava bravo, dizia que eu não podia frequentar esses lugares, que se me pegasse eu apanharia muito, e eu só ria. A chance na verdade era zero porque eu não gostava de bailes de salão nem fora do carnaval. Fui uma vez, quando ainda era menor de idade, com uma amiga, a um salão da moda da época. Entramos porque a irmã dela trabalhava no bar que tinha lá dentro e ela quis me mostrar como era. Forcei minha amiga a sair o mais rápido possível, mal acabei de tomar minha Cuba-libre gratuita. Um tempo depois, depois que fiz 18 anos e já podia mostrar a identidade, fui mais duas vezes (no auge das discotecas), uma com algumas amigas e outra com o namorado, detestei as duas e não fui mais. Não gosto mesmo de lugares barulhentos e não consigo ver nenhum sentido em ficar me chacoalhando ao lado de uma multidão aglomerada em um lugar tão barulhento que ninguém consegue nem ouvir música nem conversar. 

Mas, quando morei no Rio de Janeiro, eu e meu marido gostávamos de sair às ruas à tarde para acompanhar a pé o pessoal que estava indo para a Rio Branco ver os blocos, às vezes chegávamos até lá, pegávamos uma cerveja e ficávamos um pouco olhando um dos desfiles e depois voltávamos passando pelo Largo do Machado onde a gente via as crianças fantasiadas para o bloquinho infantil que sai de lá. O gostoso é ver as fantasias criativas e a alegria das pessoas. Até ficamos uma vez no gramado ouvindo um pouco do Sargento Pimenta. Também não gosto dos desfiles de escola de samba. Vejo a arquibancada do sambódromo como uma possibilidade de tortura e não de diversão e não tenho paciência para ficar horas na frente da televisão vendo o "Desfile das Campeãs". Mas adoro ver gente feliz!

Mudando de assunto, vi o filme Adú. É muito bom e muito triste. Um daqueles filmes que me provocam sentimento oposto à caminhada das pessoas para ver os blocos no carnaval. É terrível pensar que tudo aquilo é real, que tem muitas histórias como a do filme, e muitas outras piores ainda. Ver aquele cenário de miséria dá uma total desesperança na humanidade. Sempre que vejo filmes que retratam tragédias como exploração, escravidão, miséria, penso que a humanidade nunca será mais do que isso! E penso também que se existisse uma entidade criadora consciente qualquer, ela seria uma coisa tão abominável que superaria minha capacidade de imaginar o abominável só pelo fato de ter criado a vida como ela é. Para mim o maior e mais terrível gesto do personagem deus da bíblia não foi destruir a humanidade no dilúvio nem mandar Josué cometer genocídio. Foi dizer "Faça-se a luz".

RAÇA E REAÇA



Faz um tempo que me encasqueto quando leio ou ouço a frase "perdemos a capacidade da empatia". Será que perdemos a capacidade da empatia mesmo? Olhando para a história da humanidade minha tendência é dizer que não podemos perder o que nunca tivemos.

Empatia ao próximo (próximo mesmo!) é característica antiga da raça humana e até de outros animais, mas empatia como raça (pela raça) nós nunca tivemos. Uma pequena tribo encontra outra pequena tribo e surge logo uma guerra. O que quero dizer é que somos empáticos apenas em âmbito muito restrito, como família, como grupo, não como raça. Dessa forma não somos empáticos nem nunca fomos, por isso não perdemos a empatia, não a adquirimos nunca e talvez nunca o façamos. Algumas pessoas têm esperança de que isso aconteça um dia, mesmo que seja depois de muito tempo, quando elas já não estarão vivas, eu sou pessimista demais para acreditar que o ser humano vai se tornar esse animal que "ama o próximo como a si mesmo" até quando o "próximo" pertence a outro grupo distante ou diferente. E há muitas maneiras de um grupo humano ser visto por outro grupo humano como "distante" e como "diferente", e tantas mais são inventadas de tempos em tempos.

Uso a palavra “raça” no sentido de raça humana, o único sentido que cabe a essa palavra. Somos uma raça que se dividiu em grupos e chama alguns grupos de raça em uma separação totalmente inadequada. De qualquer forma, como raça, continuo dizendo, nunca fomos empáticos, exceto com os que sentimos como próximos. Sempre tem um grupo que se separa em "nós" e "eles" para se sentir superior, escolhido, especial. Isso acontece desde sempre e, a meu ver, vai continuar acontecendo para sempre até que a raça humana seja parte do passado da Terra. Tomara que eu esteja errada, mas não acredito que, novamente como raça, consigamos usar a palavra "nós" para nos referir a todos os seres humanos do planeta atribuindo a todos os mesmos direitos básicos, de verdade e não apenas como discurso vazio.

Enquanto existirem fronteiras, enquanto existir patriotismo, enquanto existir a ideia de que “só o meu deus é verdadeiro”, enquanto existir a ganância, enquanto existir o "farinha pouca meu pirão primeiro", não deixaremos de ter as guerras, os países ricos e os miseráveis, os povos que têm problema de saúde pelo excesso e os que morrem pela falta, uma única dezena de pessoas detendo a maior porcentagem de bens disponíveis e trabalhando para acumular mais, os governos que trabalham para essa dezena e não para a maioria que, iludida, o colocou no cargo. E o que torna o planeta habitável pela raça humana vai continuar sendo destruído enquanto essa dezena usará a ciência e todos os avanços tecnológicos futuros (incluindo os miseráveis que usam desde sempre e que continuarão usando) para dar um jeito de cair fora do planeta deixando o restante pra trás. De novo e de novo digo: Torço muito para estar errada, mas não vejo indícios disso. Quanto a odiar os reaças, penso que eles têm que ser odiados mesmo! Desculpe mas é que só o ódio aos reaças, a meu ver, tem alguma chance de fazer com que as coisas melhorem. A tolerância ao intolerante não é uma opção benéfica para os alvos da intolerância, nunca. Porém, com um restinho de otimismo que consigo reunir, fico torcendo para que esse ódio não seja o ódio destrutivo que ergue patíbulos e transforma os "salvadores" em novos algozes. Eu odeio os reaças, mas não quero matá-los, quero tirar todos os poderes deles, quero que a menor manifestação de intolerância seja imediatamente rechaçada e o intolerante seja calado e só lhe seja permitido falar depois de aprender que ele não é superior a ninguém. Assim como tem cursos para motoristas infratores, quero que tenha cursos (mais eficientes) de tolerância para humanos infratores. Quero que a educação seja usada como uma arma para fazer com que as novas pessoas não se tornem reaças. Esse ódio, eu defendo como um ódio saudável, não acredito que a raça humana seja capaz dele, mas torço muito para estar enganada e, como indivíduo, é assim que eu odeio e vou continuar odiando.

13 de fevereiro de 2021

CARNAVAL E CINEMA



Quando morei no Rio de Janeiro, eu e meu marido gostávamos de sair às ruas à tarde nos dias de Carnaval para caminhar acompanhando o pessoal que ia para a Rio Branco ver os blocos. Às vezes chegávamos até lá, pegávamos uma cerveja e ficávamos um pouco olhando um dos desfiles e depois voltávamos passando pelo Largo do Machado onde a gente via as crianças fantasiadas para o bloquinho infantil que sai de lá. O gostoso é ver as fantasias criativas e a alegria das pessoas. Eu não gosto de bailes nem dos desfiles de escola de samba, mas adoro ver gente feliz!

Mudando de assunto, mas não muito: vi Adú. É um daqueles filmes que me provocam sentimento oposto à caminhada das pessoas para ver os blocos no carnaval. É terrível pensar que aquilo é real! Que tem muitas histórias totalmente como essa do filme, e muitas mais que são piores ainda acontecendo sempre em algum lugar do mundo, desde o começo da história da “civilização”. Ver aquele cenário de miséria me provoca uma total desesperança na humanidade.

Sempre que vejo filmes, leio livros ou vejo notícias que retratam tragédias como exploração, escravidão, exploração, genocídio, miséria... penso que a humanidade nunca será mais do que isso. E penso que se existisse uma entidade criadora consciente qualquer, ela seria uma coisa tão abominável que superaria minha capacidade de imaginar e de descrever o abominável só e apenas pelo fato de ter criado a vida como ela é.

Para mim, o maior e mais terrível gesto do personagem deus da bíblia não foi destruir a humanidade no dilúvio nem levar Josué a cometer genocídio. Foi dizer "Faça-se a luz".

5 de fevereiro de 2021

EU NA FOTO

 


Organizando fotos nas pastas do computador encontrei (de novo) a foto mais antiga que tenho de mim mesma. Sou uma menina séria, de olhos arregalados e posição claramente arranjada, que está usando um calçado do tipo sandália, com meias, e um vestido de babado na gola que tem uma lista clara no alto do peito e que não faço ideia de que cor era.

Não lembro nada desse dia! Não lembro desse lugar, não lembro dessas roupas, não lembro se as meias eram brancas, rosa ou amarelas, se o que calço é um sapato aberto ou uma sandália, se era preto ou marrom, não lembro de como era o fotógrafo nem dele me colocando nessa pose. Não lembro da minha mãe nesse dia! E ela certamente estava ali, naquela mesma sala, em um lugar à direita ou à esquerda que a fotografia não registrou.

Principalmente não me lembro daquela pessoa, daquela menina, daquela criança. Eu não a reconheço no espelho. Há tantos anos não a reconheço no espelho que sequer me lembro de algum dia ter reconhecido essa foto como sendo uma imagem de mim em duas dimensões.

Olhando esse rosto assustado e desconfortável de uma criança que provavelmente preferia estar brincando e correndo com alguém em algum outro lugar, lembro que li e aprendi – talvez quando já não a reconhecia como eu - que nenhuma das células que formam meu corpo agora estava no corpo da menina da foto. E provavelmente nenhum dos átomos que formam as substâncias e organelas das células que formam meu corpo hoje.

Todas as células do corpo daquela menina morreram! Todos os átomos que formavam aquelas células se espalharam e foram formar outras coisas. Faz décadas que não moro onde essa menina morava. Então, provavelmente, os átomos que a compunham não chegaram perto o suficiente da velha que sou hoje para que qualquer um deles pudesse ser - numa espécie de revisita - uma ínfima parte desse corpo que agora está na frente de um computador digitando esse texto.

Olho a menina de novo. Reparo bem nela. Seu rosto assustado e redondo, suas mãos gordinhas, seus joelhos comuns, seu cabelo escuro com franja curta demais, seus braços magros...

Tento reconhecer algo, qualquer detalhe dessa foto, e não consigo. Então eu me pergunto:

Essa menina sou eu?

      

26 de janeiro de 2021

DIADORIM



Tive uma aluna uma vez (primeiro ano)
Que me disse em um dos primeiros dias de aula
Que tinha pegado o livro Grande Sertão: Veredas para ler
Pensei comigo "Ela vai desistir do livro logo"
Mas falei bastante sobre ele:
Que é um dos meus favoritos da vida
Que apesar da linguagem um tanto difícil
Pra quem não está acostumado
É um livro simplesmente maravilhoso...
Foram passando os dias
E ela sempre me contava como ia a leitura
Um dia chegou na sala e falou super brava comigo:
"Você não me contou que Diadorim é uma mulher!"
Foi muito engraçado e eu ri muito explicando
Que não quis estragar a surpresa
Nunca vou esquecer essa experiência
E acho que ela também não

25 de janeiro de 2021

MEU FEMINISMO



Eu me nego a levantar bandeira
De "feminismo assim ou feminismo assado"
Meu feminismo é a luta contra o machismo
Que diminui, poda, agride, tortura, e mata
Todo aquele ser humano que "não é homem"
Meu feminismo defende todas as mulheres
Defende tanto as mulheres quanto os homens trans
Tanto as mulheres cis quanto as lésbicas
Tanto as mulheres brancas quanto as negras
Tanto as mulheres jovens quanto as velhas
Tanto as mulheres...
Meu feminismo entende muito bem
Que dentro desse todo há diferenças
E há diferentes necessidades
Como há em todos os grupos humanos
Mas não "fecho o guarda-chuva"
Excluindo uma parte do grupo
Sugerindo que "se virem" sozinhes
Quero estar com meu "guarda-chuva" aberto
Sempre!
Se para você não for assim
O seu feminismo não me interessa.

22 de janeiro de 2021

IGUAIS



Deus pode matar nossas esperanças
Deus pode tirar nossas esperanças
Deus pode arrasar nossas esperanças
Deus pode destruir nossas esperanças
Deus pode roubar nossas esperanças

Deus pode matar nossos sonhos
Deus pode apagar nossos sonhos
Deus pode levar nossos sonhos
Deus pode destruir nossos sonhos
Deus pode roubar nossos sonhos
Deus pode anular nossos sonhos

Deus pode matar nossos planos
Deus pode arrasar nossos planos
Deus pode destruir nossos planos
Deus pode roubar nossos planos
Deus pode anular nossos planos
Deus pode alterar nossos planos

Deus pode matar nossas alegrias
Deus pode tirar nossas alegrias
Deus pode apagar nossas alegrias
Deus pode levar nossas alegrias
Deus pode arrasar nossas alegrias
Deus pode destruir nossas alegrias
Deus pode roubar nossas alegrias
Deus pode anular nossas alegrias

Deus pode matar nossos sorrisos
Deus pode tirar nossos sorrisos
Deus pode apagar nossos sorrisos
Deus pode levar nossos sorrisos
Deus pode roubar nossos sorrisos
Deus pode anular nossos sorrisos

Deus pode tirar nossas lembranças
Deus pode apagar nossas lembranças
Deus pode levar nossas lembranças
Deus pode destruir nossas lembranças
Deus pode roubar nossas lembranças
Deus pode alterar nossas lembranças

Deus pode matar nosso futuro
Deus pode tirar nosso futuro
Deus pode apagar nosso futuro
Deus pode levar nosso futuro
Deus pode arrasar nosso futuro
Deus pode destruir nosso futuro
Deus pode roubar nosso futuro
Deus pode anular nosso futuro
Deus pode alterar nosso futuro

Deus pode tirar nossas vidas
Deus pode apagar nossas vidas
Deus pode levar nossas vidas
Deus pode arrasar nossas vidas
Deus pode destruir nossas vidas
Deus pode roubar nossas vidas
Deus pode anular nossas vidas
Deus pode alterar nossas vidas

O mal pode matar nossas esperanças
O mal pode tirar nossas esperanças
O mal pode arrasar nossas esperanças
O mal pode destruir nossas esperanças
O mal pode roubar nossas esperanças

O mal pode matar nossos sonhos
O mal pode apagar nossos sonhos
O mal pode levar nossos sonhos
O mal pode destruir nossos sonhos
O mal pode roubar nossos sonhos
O mal pode anular nossos sonhos

O mal pode matar nossos planos
O mal pode arrasar nossos planos
O mal pode destruir nossos planos
O mal pode roubar nossos planos
O mal pode anular nossos planos
O mal pode alterar nossos planos

O mal pode matar nossas alegrias
O mal pode tirar nossas alegrias
O mal pode apagar nossas alegrias
O mal pode levar nossas alegrias
O mal pode arrasar nossas alegrias
O mal pode destruir nossas alegrias
O mal pode roubar nossas alegrias
O mal pode anular nossas alegrias

O mal pode matar nossos sorrisos
O mal pode tirar nossos sorrisos
O mal pode apagar nossos sorrisos
O mal pode levar nossos sorrisos
O mal pode roubar nossos sorrisos
O mal pode anular nossos sorrisos

O mal pode tirar nossas lembranças
O mal pode apagar nossas lembranças
O mal pode levar nossas lembranças
O mal pode destruir nossas lembranças
O mal pode roubar nossas lembranças
O mal pode alterar nossas lembranças

O mal pode matar nosso futuro
O mal pode tirar nosso futuro
O mal pode apagar nosso futuro
O mal pode levar nosso futuro
O mal pode arrasar nosso futuro
O mal pode destruir nosso futuro
O mal pode roubar nosso futuro
O mal pode anular nosso futuro
O mal pode alterar nosso futuro

O mal pode tirar nossas vidas
O mal pode apagar nossas vidas
O mal pode levar nossas vidas
O mal pode arrasar nossas vidas
O mal pode destruir nossas vidas
O mal pode roubar nossas vidas
O mal pode anular nossas vidas
O mal pode alterar nossas vidas

Semelhanças NÃO são mera coincidência

20 de janeiro de 2021

GLOBO ARREPENDIDA?



A Globo é a Globo 
Neoliberal adepta da necropolítica.
Critica o Bozobosta mas alimentou e engordou o gado
Critica o Bozobosta mas cala sobre o fdp do Guedes
Critica o Bozobosta mas cala os crimes do Moro
Critica o Bozobosta mas ajudou MUITO a vitória dele
É corresponsável por todas as merdas
Que ele fez faz e vai fazer ainda
Combater o genocida agora não significa mudança
Só mais do mesmo
Nenhuma mudança

15 de janeiro de 2021

PORTUGUÊS ERRADO



"O português são dois; o outro, mistério", já disse Drummond.
Acho a língua portuguesa maravilhosa, acho o estudo de gramática muito legal, eu AMAVA fazer análise sintática!
Mas sei que a gramática normativa é complicada.
Sou professora de português, estou aqui no Face e já escrevi "errado" várias vezes... falar então!
Ninguém fala "gramatiquês"!
O que gosto de saber e ter em mente é o erro desse conceito de erro.
Nas situações normais do dia a dia, se alguém fala e você entende o que a pessoa diz, você entende português e a pessoa fala português.
Se alguém escreve e você entende o que a pessoa escreveu, você escreve português e a pessoa lê português.
Não importa quem seja a pessoa e quem seja você.
A língua serve para as pessoas se comunicarem, se ela está cumprindo esse papel, está correta.
A gente pode dizer que há um desacordo com as normas da gramática oficial, mas não pode, ou não deveria, falar em erro.
Há situações em que uma maior proximidade com a gramática oficial é recomendável e até obrigatória, mas decididamente não é o tempo todo pra todo mundo!
Se a pessoa vai criar um documento oficial ou fazer um discurso oficial, por exemplo, aí sim há a necessidade de se preocupar com a correção gramatical.
Estudar gramática normativa é de certa forma estudar outra língua, quanto tempo alguém precisa estudar outra língua para conseguir usá-la sem sotaque?
Acontece também que, em algumas situações, a maior adequação gramatical possível na fala e na escrita é muito recomendável para benefício da pessoa que se comunica.
A adequação à norma culta é uma marca de poder e distinção social.
Então, tomar posse do “outro” português de que fala Drummond é tomar posse de algo que “pertence à elite nariz empinado” e essa posse está diretamente ligada às perspectivas de ascensão social.
Por isso é bom que se ensine e se aprenda a “outra” língua, principalmente na e para as classes sociais menos favorecidas.
O português veio do latim.
O que acontece com o português, também acontecia com o latim.
Para mim, ter em mente que nossa língua veio do latim vulgar, que é o equivalente do português “errado”, deveria valer como uma lição de humildade para todas as pessoas que adoram apontar os “erros” das outras.
* Incluo aqui as pessoas que usam a "correção" da língua portuguesa para combater quem defende o uso do pronome neutro.

8 de janeiro de 2021

IMPOSSÍVEIS ACONTECÊNCIAS



Não há Criador e não há diabo
Demônio satanás ou seja qual for o nome
O que existe é um universo tão imenso
Tão absurdamente gigantesco
Que nesse lugar como disse Lawrence Krauss
Coisas impossíveis acontecem o tempo todo
E uma dessas coisas impossíveis
Que aconteceu nessa imensidão inimaginável
Foi surgir em um planetinha insignificante
Um tipo de vida senciente
Que criou deuses à sua imagem e semelhança
E pensa que é importante o suficiente
Para que esses deuses se importem
Com suas vidinhas insignificantes
Mas não!
Esse planeta é insignificante
E essa forma de vida senciente é mais insignificante ainda
Não há ninguém que se importe com esses seres
A não ser eles mesmos
Mas infelizmente e hipocritamente
Os seres que não têm noção da própria insignificância
Desprezam e destroem seus iguais
Em nome da adoração desses deuses
Que eles mesmos criaram à sua imagem e semelhança
Talvez esses seres insignificantes
Pudessem se aperceber desses fatos
Se não fossem tão absurdamente orgulhosos
E tão insensatamente prepotentes

6 de janeiro de 2021

HIPOCRISIA



No começo de uma gravidez
Quando ainda não há cérebro
Para configurar a existência de um ser senciente
O único ser senciente que existe é a mulher
Nesse período há duas vidas ou milhões de vidas
Se pensarmos nas células e em cada microorganismo
Que habita o corpo humano e que são vivos
Mas há apenas um ser humano completo e formado
Apenas um ser humano capaz de pensar sentir e sofrer
E esse ser humano é a mulher que às vezes é uma criança
É a mulher a quem os "pró-vida" querem negar tudo
A quem negam todo tipo de empatia de compreensão
De apoio psicológico de acesso a atendimento médico
De direito à própria vida e ao próprio corpo
Os "pró-vida" querem que o único ser vivo senciente
Presente naquela gravidez reproduza ou morra
Se conseguirem que ela seja a incubadora sem direitos
Que eles determinaram que ela tem de ser
A gravidez prosseguirá o cérebro se formará
Haverá um outro ser, agora sim, um ser senciente
A criança que nascerá sem condições e sem apoio
Uma criança que imediatamente após o nascimento
Será esquecida e abandonada pelos "pró-vida"
E que possivelmente viverá toda uma vida
Sem possibilidades de receber amor
Jogada pelas calçadas, sobre pedaços de papelão
Dormirá a criança que nasceu para ser jogada fora
Não é certo e não é regra mas é possibilidade
Que a criança abandonada pelos “pró-vida”
Mais tarde venha a se tornar um criminoso
Se isso acontecer os "pró-vida" voltarão
Se interessarão por ela para pedir que a matem!
Porque muitos "pró-vida" defendem a pena de morte
Isso é o que eu chamo de hipocrisia
Para não dizer coisa pior

5 de janeiro de 2021

OS PRÓ-MORTE



Você sabe em que período da gestação
O sistema nervoso é formado?
Você sabe em que período da gestação
O cérebro é formado?
Talvez você tenha estudado leis e saiba
Que legalmente uma pessoa cujo cérebro
Parou de funcionar é declarada morta
Mesmo que seu coração ainda bata
Se para sentir dor é preciso ter nervos
E para ser considerado vivo é preciso ter cérebro ativo
Por que vocês "pró vida" esquecem totalmente
De pensar no ser que sente dor e está vivo
Para defender o que não sente dor e não está vivo?
Vocês ignoram totalmente a vida das mulheres
Ignoram os sentimentos a história o porquê da decisão
Ignoram o desespero muitas vezes envolvido
Tudo isso para defender o que a natureza
Elimina frequentemente de forma espontânea
Vocês ignoram as crianças dormindo
Nas ruas sobre pedaços de papelão
Ignoram as crianças pedindo moedas
Nos cruzamentos das grandes cidades
As crianças amontoadas em orfanatos
As crianças cooptadas pelo crime
Ignoram todo um mundo de sofrimento
Para defender uma possibilidade de ser vivo
Que ainda não foi concretizada
Vocês são hipócritas!

2 de janeiro de 2021

ÓDIO A DEUS



Não entendo revolta contra deus
Não entendo adoração a deus
Ou adesão a uma religião
Por perda ou ganho pessoal
Amo deus porque ele me...”
Odeio deus porque ele me...”
Os dois me parecem egoísmo puro
Nunca penso nos meus problemas
Nunca penso nos meus privilégios
Quando a questão é deus ou religião
Eu odiaria deus caso existisse
Odiaria como não odeio ninguém
Eu odiaria deus por todos os males
Da história da vida no planeta
Eu odiaria deus por cada uma
Das cinco extinções em massa
Pelas quais o planeta passou
Eu odiaria deus por cada animal
Que foi devorado pelo predador
Eu odiaria deus por cada predador
Que morreu de fome sem poder caçar
Eu odiaria deus por cada criança
Eu odiaria deus por cada animal
Que foi morto deformado torturado
Em consequência de doença
Má formação, violência da própria espécie
Ou catástrofe natural
Eu odiaria deus por cada vítima do ódio
Do preconceito, do egoísmo, da guerra
Eu odiaria deus por ter criado esse mundo
E escolhido plantar nele todos os males.

31 de dezembro de 2020

ABORTO



Homem que é contra a descriminalização do aborto é fdp
É um machão hipócrita insensível e burro
Não sabe o que mulheres passam
Não sabe o que é uma gravidez um parto um abandono
Não sabe o que é ser expulsa de casa por estar grávida
Não sabe o que é perder a infância por estar grávida
Não sabe o que é perder uma vida por estar grávida
Não estudou nem o básico de embriologia
Não sabe que um embrião NÃO é um ser humano
Não pensa que em uma gravidez em que há um embrião
O único ser humano é a mulher
Não sabe a história da mulher a vida da mulher
Não sabe NADA sobre ela e a julga
A ofende a condena e aceita que ela morra
Tudo isso para "salvar" um amontoado de células
E o pior de tudo é que tem mulher
Para quem vale tudo isso que eu disse aí em cima
Deixe de ser fdp!
Se você é contra o aborto não aborte
Mas não venha querer legislar sobre o útero alheio
Deixe a hipocrisia de lado!
E se possível para não continuar falando merda
Estude um pouco de embriologia