Uma pessoa me lembrou de uma frase que eu já tinha lido e que, procurando no Google, vi que tem várias versões atribuídas a várias pessoas; de Mark Twain a Sandra Bulock.
“Se votar fizesse alguma diferença, fariam-no ilegal”
Essa é atribuída a Emma Goldman, talvez ela tenha sido a primeira pessoa a dizer isso, não sei e não sei se importa.
Embora eu goste muito da ideia de ter sido uma mulher a primeira a ter essa “sacada”.
De qualquer forma, o que quero dizer é que concordo com muitos dos argumentos das pessoas que escolhem não votar.
Tanto concordo que passei muitos anos sem votar.
Eu morava no Rio, transferi meu título para São Paulo e só justificava.
O que eu dizia na época era:
“Quando surgir um candidato que mereça meu voto, eu vou a São Paulo votar”.
Não o fiz, nem uma vez.
Voltei a morar em São Paulo, mas longe o suficiente para continuar justificando.
Parei de votar quando vi o Lula apertando a mão do Maluf logo depois de vencer as eleições para o primeiro mandato.
Voltei a votar quando o bozobosta apareceu como candidato à presidência.
Aí atualizei meu título e votei contra ele.
É o que vou fazer agora.
Então, apesar de concordar muito com a Emma Goldman, não acho MESMO que esse é o momento para omissão.
Acho que agora, excepcionalmente, faz diferença sim!
Para usar como exemplo um tema bem atual,
Se não votasse, eu me sentiria tão mal quanto se aceitasse me sentar à uma mesa na qual está uma pessoa com a suástica no braço.
Mesmo que eu não falasse com essa pessoa,
Mesmo que a abominasse,
Eu me sentiria quase uma nazista.
Posso estar exagerando,
Mas quem manda em sentimentos, né?
Era adolescente, por vezes gritava com um agudo sorriso: Cadelo meu chinelo? Cadela minha blusa vermelha? Cadela minha caneta nova?... O tempo passou, os cabelos são de neve e a pele de pergaminho. Às vezes grita sem som e sem saudades: Cadela minha vida?
18 de fevereiro de 2022
6 de fevereiro de 2022
EU SOU VELHA, GORDA, FEIA, BURRA E MÁ
Não estou me desprestigiando, me humilhando, esperando que pessoas me elogiem “desmentindo” esses adjetivos de sentido negativo que atribuí a mim mesma. Estou apenas constatando um fato, e é um fato, a meu ver, que descreve uma boa parcela da população mundial. Vamos olhar cada adjetivo mais de perto.
Sou velha porque quase toda pessoa é velha aos olhos de quem tem 20 anos a menos. Para uma criança de 10 anos, as pessoas de trinta anos são velhas, e como já passei dos 60, tem muita gente com uma diferença de idade bem maior do que os 20 anos necessários para me ver como velha, independente do que eu possa pensar de mim mesma e do que as pessoas lindas que são minhas amigas possam dizer para me convencer de que não sou velha nem aparento ser (Ah, como são maravilhosas as sinceras mentiras piedosas!). Lembro bem da minha cabeça de 20 anos! Quando me olho no espelho e alcanço o olhar daquela mocinha amalucada que fui, eu me vejo como velha sim, e só não faço muito isso porque nunca gostei de me olhar no espelho. Mas preciso frisar que a maneira como me vejo não tem importância para o raciocínio que estou tentando desenvolver aqui.
Sou gorda porque vivo em uma sociedade que cultua o “corpo sarado” e a magreza extrema, e para esses padrões eu deveria “perder” pelo menos uns dez quilos, acho (Faz muito tempo que não subo em uma balança). E sou gorda porque tenho o privilégio de poder comer o que e quando me dá vontade (excetuando extravagâncias absurdas como as trufas brancas italianas que, de acordo com o Google, é o alimento mais caro do mundo). Tenho vários privilégios que só são privilégios porque muita gente não tem o que deveria ser direito básico para TODO MUNDO; mas esse “privilégio” que tenho é suficiente para aumentar o peso da gente se a gente não tomar cuidado. E eu não tomo cuidado nenhum!
Sou feia porque passei dos 60 e ninguém nessa idade é considerada bonita sem um “ainda” antes (ou como mais uma sincera mentira piedosa das pessoas lindas que são minhas amigas); e sou feia porque minha aparência, embora não assuste criancinhas, não serve nem pra ser escolhida como entrevistada pela Globo em caso de eu estar passando por perto quando acontece algum fato “digno” de trazer repórteres “muito interessados” em saber a opinião das pessoas comuns que testemunharam, transitam ou vivem por ali.
Sou burra porque todo mundo é burro da mesma forma que ninguém é normal, “olhando de perto”, como disse o Caetano. Tem tanta coisa que eu não sei, tem tanta coisa de que sei só uma parte, um pouco, um ínfimo ou um quase nada; tem tanta coisa que eu sei que nunca vou saber, tem tanta coisa que nem tenho capacidade de aprender. E mesmo as poucas coisas que sei, que estudei, que aprendi, que até ensinei, não são conhecimentos totais, não são conhecimentos engessados, e sobre muitas dessas coisas (ou todas elas), meu conhecimento também é limitado. Daí que me julgar inteligente seria uma grande burrice!
Sou má porque pertenço à raça humana que é má em sua essência. E sou má porque estou aqui no conforto da minha cadeira, sob meu teto aconchegante, na companhia e sob a proteção da pessoa que mais amo no mundo depois do meu filho. Fico aqui, toda tranquila e aconchegada, sabendo que o mundo está cheio de dores terríveis, sofrimentos atrozes, injustiças absurdas, carências inacreditáveis e catástrofes monumentais. E eu sequer estou chorando (nesse momento) por tudo isso! Eu sequer estou doando minhas parcas posses para acabar com algum desses tantos sofrimentos. Se eu fosse boa, sairia daqui agora, daria TUDO o que tenho para quem não tem nada e levaria os restos da minha força de trabalho me engajando totalmente a um grupo qualquer que trabalha pela humanidade. Não faço isso e minhas doações não me tiram do conforto que tantas pessoas e tantos seres vivos não têm. Seria muita maldade me consideram uma boa pessoa!
Agora, se eu quiser reinterpretar as palavras, posso inverter tudo que acabei de escrever. Posso dizer que sou uma senhora lúcida e saudável, que sou bonita porque sei sorrir e apoiar, que sou uma pessoa desapegada de imposições machistas e de bem com meu corpo, que sou tão inteligente que já passei em primeiro lugar em um concurso, que concluí a faculdade sem nunca repetir uma matéria (e outras “carteiradas” bestas do tipo). Posso posar de uma pessoa excelente porque sou uma defensora dos direitos humanos, ajudo quem posso sempre que posso e não me poupo de defender minorias contra maiorias opressoras em meus textos, minhas falas, minhas aulas... Acontece que hipocrisia é maldade, não é?
Então, no final das contas, me limito a ser humana e gosto muito de pensar o pior de mim porque é pensando o pior que a gente consegue tentar não ser tão terrível assim; que a gente consegue melhorar... mesmo que seja só um pouco.
Sou velha porque quase toda pessoa é velha aos olhos de quem tem 20 anos a menos. Para uma criança de 10 anos, as pessoas de trinta anos são velhas, e como já passei dos 60, tem muita gente com uma diferença de idade bem maior do que os 20 anos necessários para me ver como velha, independente do que eu possa pensar de mim mesma e do que as pessoas lindas que são minhas amigas possam dizer para me convencer de que não sou velha nem aparento ser (Ah, como são maravilhosas as sinceras mentiras piedosas!). Lembro bem da minha cabeça de 20 anos! Quando me olho no espelho e alcanço o olhar daquela mocinha amalucada que fui, eu me vejo como velha sim, e só não faço muito isso porque nunca gostei de me olhar no espelho. Mas preciso frisar que a maneira como me vejo não tem importância para o raciocínio que estou tentando desenvolver aqui.
Sou gorda porque vivo em uma sociedade que cultua o “corpo sarado” e a magreza extrema, e para esses padrões eu deveria “perder” pelo menos uns dez quilos, acho (Faz muito tempo que não subo em uma balança). E sou gorda porque tenho o privilégio de poder comer o que e quando me dá vontade (excetuando extravagâncias absurdas como as trufas brancas italianas que, de acordo com o Google, é o alimento mais caro do mundo). Tenho vários privilégios que só são privilégios porque muita gente não tem o que deveria ser direito básico para TODO MUNDO; mas esse “privilégio” que tenho é suficiente para aumentar o peso da gente se a gente não tomar cuidado. E eu não tomo cuidado nenhum!
Sou feia porque passei dos 60 e ninguém nessa idade é considerada bonita sem um “ainda” antes (ou como mais uma sincera mentira piedosa das pessoas lindas que são minhas amigas); e sou feia porque minha aparência, embora não assuste criancinhas, não serve nem pra ser escolhida como entrevistada pela Globo em caso de eu estar passando por perto quando acontece algum fato “digno” de trazer repórteres “muito interessados” em saber a opinião das pessoas comuns que testemunharam, transitam ou vivem por ali.
Sou burra porque todo mundo é burro da mesma forma que ninguém é normal, “olhando de perto”, como disse o Caetano. Tem tanta coisa que eu não sei, tem tanta coisa de que sei só uma parte, um pouco, um ínfimo ou um quase nada; tem tanta coisa que eu sei que nunca vou saber, tem tanta coisa que nem tenho capacidade de aprender. E mesmo as poucas coisas que sei, que estudei, que aprendi, que até ensinei, não são conhecimentos totais, não são conhecimentos engessados, e sobre muitas dessas coisas (ou todas elas), meu conhecimento também é limitado. Daí que me julgar inteligente seria uma grande burrice!
Sou má porque pertenço à raça humana que é má em sua essência. E sou má porque estou aqui no conforto da minha cadeira, sob meu teto aconchegante, na companhia e sob a proteção da pessoa que mais amo no mundo depois do meu filho. Fico aqui, toda tranquila e aconchegada, sabendo que o mundo está cheio de dores terríveis, sofrimentos atrozes, injustiças absurdas, carências inacreditáveis e catástrofes monumentais. E eu sequer estou chorando (nesse momento) por tudo isso! Eu sequer estou doando minhas parcas posses para acabar com algum desses tantos sofrimentos. Se eu fosse boa, sairia daqui agora, daria TUDO o que tenho para quem não tem nada e levaria os restos da minha força de trabalho me engajando totalmente a um grupo qualquer que trabalha pela humanidade. Não faço isso e minhas doações não me tiram do conforto que tantas pessoas e tantos seres vivos não têm. Seria muita maldade me consideram uma boa pessoa!
Agora, se eu quiser reinterpretar as palavras, posso inverter tudo que acabei de escrever. Posso dizer que sou uma senhora lúcida e saudável, que sou bonita porque sei sorrir e apoiar, que sou uma pessoa desapegada de imposições machistas e de bem com meu corpo, que sou tão inteligente que já passei em primeiro lugar em um concurso, que concluí a faculdade sem nunca repetir uma matéria (e outras “carteiradas” bestas do tipo). Posso posar de uma pessoa excelente porque sou uma defensora dos direitos humanos, ajudo quem posso sempre que posso e não me poupo de defender minorias contra maiorias opressoras em meus textos, minhas falas, minhas aulas... Acontece que hipocrisia é maldade, não é?
Então, no final das contas, me limito a ser humana e gosto muito de pensar o pior de mim porque é pensando o pior que a gente consegue tentar não ser tão terrível assim; que a gente consegue melhorar... mesmo que seja só um pouco.
27 de janeiro de 2022
DISCORDANDO DO KARNAL
Leandro Karnal falando sobre “ateus” e a Divininha aqui comentando a fala:
Karnal: “É definitivo: não gosto do termo e ele nunca me descreveu. Como muitos sabem, a origem grega do termo indica uma ausência: “sem Deus”. Dizer que sou ateu (sem Deus) é tão esclarecedor quanto dizer que não sou chinês, não sou mulher, não sou cabeludo e não sou jovem. Existe um essencialismo que define a crença como a condição universal e absoluta e quem não a tem deve ser ateu. O problema é que a palavra ateu fala do crente, não seu oposto.“
Divina: Eu gostava muito do Karnal antes de ele ser famoso, não gosto mais... e não concordo com ele porque, na minha visão, ele usa esse discurso para não carregar o peso que a palavra “ateu” coloca sobre as costas de uma pessoa e que, no caso dele, prejudicaria demais sua ascensão como um guru de autoajuda chic, que foi o que ele se tornou, na minha opinião. Ele omite, a meu ver de propósito, que não tem uma multidão de pessoas, situações, políticas e relações sociais coagindo, constrangendo ou forçando a pessoa a ser chinês, mulher, cabeludo ou jovem (pelo menos não tanto) como acontece com o ser teísta. Não existe "achinês" porque ninguém diz que "Você precisa ter uma origem!", não existe "amulher" porque (quase) ninguém acha que quem não é mulher não é digna de confiança, não existe "acareca" porque ninguém diz que jamais votaria em alguém que não tem cabelo, e, embora tenhamos uma cultura quase criminosa do corpo e da aparência de juventude “sarada”, (quase) ninguém se atreve a dizer que uma pessoa vai pro inferno se morrer velha... E o Karnal faz de conta que ignora tudo isso. É o que eu acho.
Karnal: “É definitivo: não gosto do termo e ele nunca me descreveu. Como muitos sabem, a origem grega do termo indica uma ausência: “sem Deus”. Dizer que sou ateu (sem Deus) é tão esclarecedor quanto dizer que não sou chinês, não sou mulher, não sou cabeludo e não sou jovem. Existe um essencialismo que define a crença como a condição universal e absoluta e quem não a tem deve ser ateu. O problema é que a palavra ateu fala do crente, não seu oposto.“
Divina: Eu gostava muito do Karnal antes de ele ser famoso, não gosto mais... e não concordo com ele porque, na minha visão, ele usa esse discurso para não carregar o peso que a palavra “ateu” coloca sobre as costas de uma pessoa e que, no caso dele, prejudicaria demais sua ascensão como um guru de autoajuda chic, que foi o que ele se tornou, na minha opinião. Ele omite, a meu ver de propósito, que não tem uma multidão de pessoas, situações, políticas e relações sociais coagindo, constrangendo ou forçando a pessoa a ser chinês, mulher, cabeludo ou jovem (pelo menos não tanto) como acontece com o ser teísta. Não existe "achinês" porque ninguém diz que "Você precisa ter uma origem!", não existe "amulher" porque (quase) ninguém acha que quem não é mulher não é digna de confiança, não existe "acareca" porque ninguém diz que jamais votaria em alguém que não tem cabelo, e, embora tenhamos uma cultura quase criminosa do corpo e da aparência de juventude “sarada”, (quase) ninguém se atreve a dizer que uma pessoa vai pro inferno se morrer velha... E o Karnal faz de conta que ignora tudo isso. É o que eu acho.
24 de janeiro de 2022
BOAS IDEIAS
Estava vendo “de ouvido” enquanto fazia outra coisa
Um programa de televisão
Sobre empreendedorismo
(Ou ideias que deram certo no mundo dos negócios)
No caso destacado do trecho que ouvi
Como exemplo de sucesso absoluto:
A mulher entrevistada teve uma brilhante ideia
Ao abrir seu guarda-roupas
E ver muitas roupas que não usava mais
Que apenas ocupavam espaço
Ela falou sobre sua ideia com o marido
E o casal abriu a empresa de venda online
Começaram com as roupas e deu muito certo
Adicionaram outras pessoas e produtos à empresa
Que hoje é um sucesso incrível de mercado
Com faturamento milionário
(ou bilionário; sei lá, não ouvi direito)
E vem essa euzinha aqui
Pobre burra e ignorante
Vendo aquele grande exemplo
De uma ideia simples
Que se tornou um mega negócio
Concluí de mim pra mim
Com meus parcos e velhos botões
Que não seria capaz de criar tal empresa
Jamais poderia me tornar uma empresária
Como essa mulher se tornou
Sou incompetente demais pra isso
Quando vejo uma roupa que não uso
Ocupando espaço no meu guarda-roupas
Nem me ocorre a ideia de vender
Vou logo a algum lugar apropriado
E faço uma doação
O mesmo vale pra qualquer outra coisa
Que não uso mais e pode servir para alguém
Seja roupa
Livro
Móvel
Ou um shampoo que comprei errado
Não importa!
Parabéns às empreendedoras
E aos empreendedores de sucesso
Que estão felizes com suas ideias geniais
Mas eu fico mais tranquila
E me sinto bem mais humana sem elas
Um programa de televisão
Sobre empreendedorismo
(Ou ideias que deram certo no mundo dos negócios)
No caso destacado do trecho que ouvi
Como exemplo de sucesso absoluto:
A mulher entrevistada teve uma brilhante ideia
Ao abrir seu guarda-roupas
E ver muitas roupas que não usava mais
Que apenas ocupavam espaço
Ela falou sobre sua ideia com o marido
E o casal abriu a empresa de venda online
Começaram com as roupas e deu muito certo
Adicionaram outras pessoas e produtos à empresa
Que hoje é um sucesso incrível de mercado
Com faturamento milionário
(ou bilionário; sei lá, não ouvi direito)
E vem essa euzinha aqui
Pobre burra e ignorante
Vendo aquele grande exemplo
De uma ideia simples
Que se tornou um mega negócio
Concluí de mim pra mim
Com meus parcos e velhos botões
Que não seria capaz de criar tal empresa
Jamais poderia me tornar uma empresária
Como essa mulher se tornou
Sou incompetente demais pra isso
Quando vejo uma roupa que não uso
Ocupando espaço no meu guarda-roupas
Nem me ocorre a ideia de vender
Vou logo a algum lugar apropriado
E faço uma doação
O mesmo vale pra qualquer outra coisa
Que não uso mais e pode servir para alguém
Seja roupa
Livro
Móvel
Ou um shampoo que comprei errado
Não importa!
Parabéns às empreendedoras
E aos empreendedores de sucesso
Que estão felizes com suas ideias geniais
Mas eu fico mais tranquila
E me sinto bem mais humana sem elas
22 de janeiro de 2022
SENTIR GRATIDÃO
SEMPRE tenho a quem agradecer!
E só me sinto grata quando recebo algo de alguém
Coisas boas que não vêm de pessoas
São coincidências ou sorte
Não tem nada que agradecer por isso
Eu apenas comemoro
Fico contente
Mas nunca grata
E se um dia
Contrariando todas as evidências
Eu descobrir que uma coisa boa que me aconteceu
Foi ação de um ente superior
Não me sentirei grata
Me sentirei desconfortável
Porque eu saberia
Que houve uma injustiça
E como digo sempre:
Não sei apreciar a injustiça
Mesmo quando sou favorecida por ela
Taí a razão por que eu não gostaria
Nem respeitaria
O deus do cristianismo
Mesmo se ele existisse
E só me sinto grata quando recebo algo de alguém
Coisas boas que não vêm de pessoas
São coincidências ou sorte
Não tem nada que agradecer por isso
Eu apenas comemoro
Fico contente
Mas nunca grata
E se um dia
Contrariando todas as evidências
Eu descobrir que uma coisa boa que me aconteceu
Foi ação de um ente superior
Não me sentirei grata
Me sentirei desconfortável
Porque eu saberia
Que houve uma injustiça
E como digo sempre:
Não sei apreciar a injustiça
Mesmo quando sou favorecida por ela
Taí a razão por que eu não gostaria
Nem respeitaria
O deus do cristianismo
Mesmo se ele existisse
8 de janeiro de 2022
JESUS
Veja o meu nome, o cara tá nele.
Desde muito pequena, minha mãe contava que tem Jesus no meu nome porque ele é meu padrinho de representação, e ela explicava o que é isso e falava dos poderes incríveis, da beleza, da bondade e do amor pelas crianças que Jesus era.
Eu, pequena e ignorante, acreditava nisso e me sentia feliz por ter no meu nome um ser tão maravilhoso assim.
MAS, aos 14 anos li a bíblia pela primeira vez, fiquei horrorizada com muitas coisas do VT e do deus terrível que tem lá, mas a minha maior tristeza foi descobrir que Jesus não era aquela maravilha de que minha mãe falava desde sempre.
Foi uma experiência marcante e o orgulho do meu nome se foi...
Hoje que sou ateia, gosto muito do meu nome porque acho super divertido ser uma contradição.
E dentre tantas coisas que não entendo, uma delas é o porquê de tanta gente, incluindo pessoas que não são religiosas, expressar tanta admiração e reverência por esse personagem.
Eu sei que tem muitas explicações, já ouvi e li diversas, mas continuo não entendendo.
É como aquela brincadeira de "Por que o avião voa?"
- Para quem não conhece, a piada é essa:
Uma pessoa pergunta por que o avião voa; outra pessoa explica detalhadamente todos os mecanismos, explica as correntes de ar, a sustentação, a engenharia envolvida. Enfim, todos os detalhes que, em tese, responderiam à pergunta. Depois de ouvir tudo com a máxima atenção, a pessoa que perguntou diz: “Tá bem, entendi tudo. Mas por que o avião voa?”.
Desde muito pequena, minha mãe contava que tem Jesus no meu nome porque ele é meu padrinho de representação, e ela explicava o que é isso e falava dos poderes incríveis, da beleza, da bondade e do amor pelas crianças que Jesus era.
Eu, pequena e ignorante, acreditava nisso e me sentia feliz por ter no meu nome um ser tão maravilhoso assim.
MAS, aos 14 anos li a bíblia pela primeira vez, fiquei horrorizada com muitas coisas do VT e do deus terrível que tem lá, mas a minha maior tristeza foi descobrir que Jesus não era aquela maravilha de que minha mãe falava desde sempre.
Foi uma experiência marcante e o orgulho do meu nome se foi...
Hoje que sou ateia, gosto muito do meu nome porque acho super divertido ser uma contradição.
E dentre tantas coisas que não entendo, uma delas é o porquê de tanta gente, incluindo pessoas que não são religiosas, expressar tanta admiração e reverência por esse personagem.
Eu sei que tem muitas explicações, já ouvi e li diversas, mas continuo não entendendo.
É como aquela brincadeira de "Por que o avião voa?"
- Para quem não conhece, a piada é essa:
Uma pessoa pergunta por que o avião voa; outra pessoa explica detalhadamente todos os mecanismos, explica as correntes de ar, a sustentação, a engenharia envolvida. Enfim, todos os detalhes que, em tese, responderiam à pergunta. Depois de ouvir tudo com a máxima atenção, a pessoa que perguntou diz: “Tá bem, entendi tudo. Mas por que o avião voa?”.
5 de janeiro de 2022
GRAÇAS A DEUS
Eu vi o documentário “Onde eu moro”, na Netflix.
É triste como eu sabia que seria e, o tempo todo, a cada fala e depoimento, eu pensava "No Brasil é pior!".Para dizer a verdade não sei se é pior ou não porque não tenho números, só imagino que seja porque imagino que tenha mais gente assim aqui do que lá, mas penso também que lá essas pessoas têm mais problemas quanto às temperaturas extremas do que suas irmãs de infortúnio têm aqui.
Enfim, não sei, apenas pensava nisso...
Lembro que quando morava em Copacabana via gente nessa situação o tempo todo, a Barata Ribeiro fica cheia de pessoas dormindo nas calçadas à noite; pelo menos no trecho em que morei.
Se precisava comprar alguma coisa no mercadinho do outro lado da rua ou na padaria na mesma calçada e já tinha anoitecido, inevitavelmente tinha que desviar de pessoas deitadas no chão.
Vi cenas marcantes que me tocaram muito e senti muito fundo a minha impotência e até meu medo quando pensava frases parecidas com o que acabei ouvindo também no documentário:
"Ninguém está livre disso" ou "Qualquer pessoa pode se tornar moradora de rua".
Eu chegava a pensar e meio que "escolher" os pontos do bairro onde dormiria se ou quando chegasse a minha vez.
Ficava muito triste e chocada principalmente por ver crianças, algumas delas com rostos e olhares adultos, deitadas e dormindo sobre pedaços de papelão.
Enfim, são muitos os sentimentos que nos atingem diante dessa realidade, e acho que os principais são a tristeza da impotência e a revolta contra o poder público representado por ricos e regido por milionários que PODERIAM fazer alguma coisa para que isso não existisse, mas não fazem e nunca farão.
Ver tantas pessoas morando na rua, tantas crianças, pequenas e nem tanto, dormindo sobre papelão, algumas vezes mal protegidas de chuva ou garoa, reforçou DEMAIS meu ateísmo.
Eu sempre pensava no quanto odiaria deus por aquilo, se ele existisse.
E chegava a sentir raiva das pessoas que, apesar de ver o que eu estava vendo, embotavam o raciocínio e anulavam qualquer empatia para continuar louvando e agradecendo a "bondade" de um deus que, elas sim, "sabiam" que existe.
O nível de egoísmo necessário para dizer um "Graças a deus!" depois de ver aquelas cenas que eu via era algo que me espantava e me chocava muito.
Na verdade, ainda me sinto assim e interpreto como confissão de egoísmo cada "graças a deus" que ouço ou leio, mesmo quando quem diz isso é minha mãe agradecendo a deus por essa sua filhinha que vos fala estar viva e bem.
O que penso é algo como:
Mãe, eu estou bem sim, mas não é "graças a deus"!
10 de dezembro de 2021
SOU FEMINISTA!
Digo sempre que sou MUITO feminista.
Mas não tenho e não gosto de discurso de ódio.
Exceto contra machos escrotos, claro.
Mas não tenho e não gosto de discurso de ódio.
Exceto contra machos escrotos, claro.
Esses merecem nossa aversão.
Menos ainda faço ou pactuo discursos de imposição ou kagação de regras para mulheres.
Como se precisasse ser assim ou assado para ser “feminista de verdade”.
Sou feminista porque sou a favor de as mulheres terem os mesmos direitos dos homens.
Aliás, sou a favor de que todas as pessoas tenham os mesmos direitos, de verdade e sem discursos retóricos para dizer que “Todos são iguais mas uns são mais iguais do que os outros”.
Sou feminista porque sou a favor da luta pela igualdade dos direitos que foram conquistados a duras penas. Incluindo pena de morte em muitos casos.
Sou feminista porque sou contra QUALQUER ato ou discurso que coloque obrigação ou cerceie a liberdade das mulheres... inclusive quando esses atos ou discursos vêm de mulheres que se dizem feministas.
E, além disso tudo, sou feminista mas não odeio homens, não sou contra os homens, não tenho aversão aos homens.
Sou contra pessoas escrotas, sejam quais forem, só isso.
Tenho consciência de quem costuma ter vertentes e pessoas radicais em praticamente todo tipo de grupo, em geral sou sempre contra os radicalismos.
Principalmente quando são ditados pelo ódio, pelo preconceito, pela discriminação.
Por isso, meu feminismo abraça também as mulheres trans e as mulheres que não têm vagina, e as abraça com muito carinho, com muito respeito, com muita admiração...
E se trocar a palavra “feminista” por qualquer outro tipo de luta por direitos de minorias (sociais ou numéricas) e meu raciocínio será o mesmo.
Porque sim! Sou uma dessas “Gentes dos direitos humanos”.
E tenho dito!
Menos ainda faço ou pactuo discursos de imposição ou kagação de regras para mulheres.
Como se precisasse ser assim ou assado para ser “feminista de verdade”.
Sou feminista porque sou a favor de as mulheres terem os mesmos direitos dos homens.
Aliás, sou a favor de que todas as pessoas tenham os mesmos direitos, de verdade e sem discursos retóricos para dizer que “Todos são iguais mas uns são mais iguais do que os outros”.
Sou feminista porque sou a favor da luta pela igualdade dos direitos que foram conquistados a duras penas. Incluindo pena de morte em muitos casos.
Sou feminista porque sou contra QUALQUER ato ou discurso que coloque obrigação ou cerceie a liberdade das mulheres... inclusive quando esses atos ou discursos vêm de mulheres que se dizem feministas.
E, além disso tudo, sou feminista mas não odeio homens, não sou contra os homens, não tenho aversão aos homens.
Sou contra pessoas escrotas, sejam quais forem, só isso.
Tenho consciência de quem costuma ter vertentes e pessoas radicais em praticamente todo tipo de grupo, em geral sou sempre contra os radicalismos.
Principalmente quando são ditados pelo ódio, pelo preconceito, pela discriminação.
Por isso, meu feminismo abraça também as mulheres trans e as mulheres que não têm vagina, e as abraça com muito carinho, com muito respeito, com muita admiração...
E se trocar a palavra “feminista” por qualquer outro tipo de luta por direitos de minorias (sociais ou numéricas) e meu raciocínio será o mesmo.
Porque sim! Sou uma dessas “Gentes dos direitos humanos”.
E tenho dito!
27 de novembro de 2021
FUTEBOL GOSPEL
Tudo que soube do jogo que o marido viu na sala enquanto eu lia no quarto
Foram os gritos de comemoração e os estouros de rojões
A cada gol ou lance que agradava a vizinhança.
Fui à cozinha pegar alguma coisa logo depois dos estouros e dos gritos de “campeão”
Da televisão vinha um discurso religioso exaltado
Como se em um púlpito fosse
Um verdadeiro culto pregado por um jogador do time vitorioso
O que ouvi de verdade
Em minha “tradução livre”
Foi algo mais ou menos assim
Que se dane o fato de ter gente passando fome
Que se dane o fato de ter um vírus mudando o mundo
Que se dane o fato de ter um genocida e uma quadrilha organizada no comando do país
Que se dane o fato de que tem filas quilométricas por um emprego que a maioria não conseguirá
Que se dane o fato de que o verde está sendo transformado em cinza
Que se dane o fato de que tem tantos horrores no país e no mundo
Não é suficiente me permitir uma alegria em meio ao caos
Preciso ignorar tudo e pregar a “palavra”
Preciso ignorar tudo e fazer meu discurso hipócrita
- Deus é bom e maravilhoso e milagroso porque venceu esse jogo para MINHA glória e para MINHA felicidade!
E deprimente que isso seja permitido
É revoltante que tanta hipocrisia seja possível
É muito triste que ...
Foram os gritos de comemoração e os estouros de rojões
A cada gol ou lance que agradava a vizinhança.
Fui à cozinha pegar alguma coisa logo depois dos estouros e dos gritos de “campeão”
Da televisão vinha um discurso religioso exaltado
Como se em um púlpito fosse
Um verdadeiro culto pregado por um jogador do time vitorioso
O que ouvi de verdade
Em minha “tradução livre”
Foi algo mais ou menos assim
Que se dane o fato de ter gente passando fome
Que se dane o fato de ter um vírus mudando o mundo
Que se dane o fato de ter um genocida e uma quadrilha organizada no comando do país
Que se dane o fato de que tem filas quilométricas por um emprego que a maioria não conseguirá
Que se dane o fato de que o verde está sendo transformado em cinza
Que se dane o fato de que tem tantos horrores no país e no mundo
Não é suficiente me permitir uma alegria em meio ao caos
Preciso ignorar tudo e pregar a “palavra”
Preciso ignorar tudo e fazer meu discurso hipócrita
- Deus é bom e maravilhoso e milagroso porque venceu esse jogo para MINHA glória e para MINHA felicidade!
E deprimente que isso seja permitido
É revoltante que tanta hipocrisia seja possível
É muito triste que ...
5 de novembro de 2021
QUESTÃO DE GÊNERO
Por esses dias
Estava eu digitando os trechos de um livro
Que há "uma pá de anos"
Sublinhei enquanto lia
E me incomodou MUITO
A quantidade de vezes que a palavra "homem"
Aparece nesse livro nem tão antigo
Sério
Não consigo mais aceitar essa de que "homem"
É sinônimo de humanidade
Não dá!
2 de outubro de 2021
ESSE ÓDIO AO PT
Eu entenderia o antipetismo
Se junto com ele existisse também
O "antitucanismo"
O antipedetismo
E vários outros
"Antioutropartidoqualquer"
No mesmo nível
Mas como não vejo isso
Acho o antipetismo
No mínimo
Um tanto suspeito
Se junto com ele existisse também
O "antitucanismo"
O antipedetismo
E vários outros
"Antioutropartidoqualquer"
No mesmo nível
Mas como não vejo isso
Acho o antipetismo
No mínimo
Um tanto suspeito
O INFERNO É AQUI?
Não!
Aqui é só uma bola de matéria
Em condições de sustentar vida
Nessa bola a vida evoluiu
A ponto de criar animais complexos
Dentre os quais uma espécie
Muito nociva
Se acha superior a todos
Uma espécie de animal
Tão oniprepotente
Que não consegue sequer
Se reconhecer como
O animal insignificante que é
Inferno não existe
Mas se existisse
Os demônios seríamos nós
Aqui é só uma bola de matéria
Em condições de sustentar vida
Nessa bola a vida evoluiu
A ponto de criar animais complexos
Dentre os quais uma espécie
Muito nociva
Se acha superior a todos
Uma espécie de animal
Tão oniprepotente
Que não consegue sequer
Se reconhecer como
O animal insignificante que é
Inferno não existe
Mas se existisse
Os demônios seríamos nós
29 de setembro de 2021
CONVERSA
Aconteceu agorinha!
Estou eu aqui lendo um texto
E falo para o marido:
- Li algo aqui e lembrei
Uma das coisas que o Daniel mais fala
De mim pra mim
Desde sempre
É "Você não é normal"
Você acha que eu não sou normal?
- Ninguém é normal
Ele responde
- Verdade!
Como diz o Caetano
"De perto ninguém é normal"
Eu concordo com ele
E ele diz muito sério:
- No seu caso
De longe também não.
Chorei de rir!
Estou eu aqui lendo um texto
E falo para o marido:
- Li algo aqui e lembrei
Uma das coisas que o Daniel mais fala
De mim pra mim
Desde sempre
É "Você não é normal"
Você acha que eu não sou normal?
- Ninguém é normal
Ele responde
- Verdade!
Como diz o Caetano
"De perto ninguém é normal"
Eu concordo com ele
E ele diz muito sério:
- No seu caso
De longe também não.
Chorei de rir!
28 de agosto de 2021
VÉUS E AFINS
Sempre que vejo textos tolerantes que falam dos fundamentos, das tradições, de costumes e vestimentas das religiões; explicando, por exemplo, que determinadas roupas e cabelos têm como objetivo fazer com que as pessoas “não sejam escravas do desejo sexual” ou que determinada prática “tem a higiene e a saúde como objetivo” na sua raiz tradicional; fico pensando "com meus botões" e me perguntando o quanto há de "CONSCIENTE" e de “VOLUNTÁRIO” na adesão de pessoas adultas aos costumes e tradições das religiões dos países, comunidades e famílias em que foram criadas. Principalmente no caso das mulheres que, praticamente no planeta inteiro, estão desde sempre inseridas no machismo estrutural.
Não tenho respostas, só perguntas e um desconforto que não me larga...
Até onde é voluntário o uso de roupas e cortes de cabelo (tanto para homens quanto para mulheres) "tradicionais" de determinada religião?
Sei que a moda ocidental, comercial, elitista, consumista e desvinculada de tradição religiosa também pode ser vista como um tipo de imposição... Sei que se pode perguntar até onde uma garota que copia as roupas que seu grupo usa é mais livre do que uma muçulmana que "precisa" usar um véu.
Será que eu vejo a primeira BEM menos aprisionada do que a segunda porque também sou uma mulher sem liberdade? Acho que não, mas achar basta?
Tudo que sei é que todas as "fantasias" religiosas, da burca à costeleta comprida dos judeus ortodoxos, passando pelo hábito das freiras e pela careca dos monges budistas, me causam estranheza e desconforto.
Nada do que se faz “tradicionalmente” para “agradar”, “louvar” ou “obedecer” a um deus me parece livre.
Não tenho respostas, só perguntas e um desconforto que não me larga...
Até onde é voluntário o uso de roupas e cortes de cabelo (tanto para homens quanto para mulheres) "tradicionais" de determinada religião?
Sei que a moda ocidental, comercial, elitista, consumista e desvinculada de tradição religiosa também pode ser vista como um tipo de imposição... Sei que se pode perguntar até onde uma garota que copia as roupas que seu grupo usa é mais livre do que uma muçulmana que "precisa" usar um véu.
Será que eu vejo a primeira BEM menos aprisionada do que a segunda porque também sou uma mulher sem liberdade? Acho que não, mas achar basta?
Tudo que sei é que todas as "fantasias" religiosas, da burca à costeleta comprida dos judeus ortodoxos, passando pelo hábito das freiras e pela careca dos monges budistas, me causam estranheza e desconforto.
Nada do que se faz “tradicionalmente” para “agradar”, “louvar” ou “obedecer” a um deus me parece livre.
Sei que, na prática, a mídia também se tornou um deus, mas desse deus eu – até certo ponto – ainda posso fugir sem que ele me prejudique até mesmo após a minha morte.
25 de agosto de 2021
CERTEZAS
Eu sou ateia!
Não tenho total certeza de absolutamente nada
Acho que ninguém tem
Mas dentro do que posso afirmar
Mesmo sem poder dizer que tenho certeza
Posso afirmar que existo e que sou ateia
Não tenho nenhuma fé
Não tenho nenhuma religiosidade
Ouço, penso e faço tantas perguntas
Para as quais não tenho resposta
Que às vezes tenho certeza
De que não existe pergunta
Que eu REALMENTE saiba responder
Mas eu sei
Até onde um animal insignificante feito eu
Pode saber alguma coisa
Que não existe deus nenhum
E que se existir qualquer tipo de "algo"
Responsável pela existência do universo
Se é que o universo existe
Esse "algo" NÃO será deus
Um exercício que faço vez em quando
É pensar uma ameba
Um vírus
Um protozoário
Uma minhoca
Um peixe-palhaço
Seres assim...
E me perguntar por que esses seres
Teriam outra vida ou vida eterna
Fica difícil imaginar que um ser unicelular
Tenha direito a um paraíso
Acho que ninguém nunca pensou
Em um deus Paramecium
Em um paraíso Formicidae
Aí eu "calo minha própria boca"
Dizendo para mim mesma
“Se não faz sentido que eles
Sejam dignos dessa distinção
Quem é você para achar que é?”
E eu me conformo com minha ignorância
E com minha finitude
Sem querer ou esperar mais
Não tenho total certeza de absolutamente nada
Acho que ninguém tem
Mas dentro do que posso afirmar
Mesmo sem poder dizer que tenho certeza
Posso afirmar que existo e que sou ateia
Não tenho nenhuma fé
Não tenho nenhuma religiosidade
Ouço, penso e faço tantas perguntas
Para as quais não tenho resposta
Que às vezes tenho certeza
De que não existe pergunta
Que eu REALMENTE saiba responder
Mas eu sei
Até onde um animal insignificante feito eu
Pode saber alguma coisa
Que não existe deus nenhum
E que se existir qualquer tipo de "algo"
Responsável pela existência do universo
Se é que o universo existe
Esse "algo" NÃO será deus
Um exercício que faço vez em quando
É pensar uma ameba
Um vírus
Um protozoário
Uma minhoca
Um peixe-palhaço
Seres assim...
E me perguntar por que esses seres
Teriam outra vida ou vida eterna
Fica difícil imaginar que um ser unicelular
Tenha direito a um paraíso
Acho que ninguém nunca pensou
Em um deus Paramecium
Em um paraíso Formicidae
Aí eu "calo minha própria boca"
Dizendo para mim mesma
“Se não faz sentido que eles
Sejam dignos dessa distinção
Quem é você para achar que é?”
E eu me conformo com minha ignorância
E com minha finitude
Sem querer ou esperar mais
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