29 de janeiro de 2017

CALÚNIA





A escola ficava longe, todo dia caminhava durante uma hora inteira para chegar até lá. Não se importava, gostou e gostou muito da escola. Adorou descobrir que estava aprendendo, sentir o cheiro gostoso do material escolar quando seu pai espalhou na cama os cadernos, os livros e os lápis; as borrachas, as réguas e a caixinha de lápis de cor. Ficou muito tempo pegando o material um a um e cheirando bem fundo, depois pegou um livro e folheou inteiro vendo cada figura com atenção e desejando muito não entender assim tão pouco do que estava escrito. A partir daí criou o hábito de ler todos os livros didáticos assim que os recebia. Até mesmo na faculdade às vezes surpreendia os professores com o conhecimento adquirido no amor do cheiro de livro novo.

Não gostou muito das férias. Nos primeiros dias foi bom, acordava mais tarde, brincava mais tempo e chegaram rápido os dias de ir com os pais para o interior, na casa da avó. Depois estava em casa de volta e veio a saudade. Descobriu que ainda faltavam muitos dias para começarem as aulas. Os dias se arrastaram monótonos e os contava um a um achando que estavam demorando cada vez mais para acabar de contar, até que chegasse o primeiro dia de aula. Que delícia que seria então! Conhecer os novos professores, novos colegas de classe, aprender as novas matérias e descobrir assombrada que de repente tinha se tornado mais velha, maior do que o ano passado, porque veria os alunos que estariam na série que ela frequentou no ano anterior e descobriria que eram muito crianças em comparação a ela.

Lembra que estava nos dias de ter pressa de crescer, pegou a moeda que ganhou do tio Mariano e foi até a casa onde morava o homem que fazia paçoquinha. Chegou na casa e empurrou o portão sem cuidado, como todo mundo que ia comprar paçoquinha fazia, chamou ô de casa porque não sabia o nome do homem e apareceram três crianças. Não os conhecia muito bem porque moravam há pouco tempo no bairro e não os tinha visto na escola. Havia um menino grande que já devia estar pra lá da quarta série, um outro pequeno que devia ser da primeira ainda e uma menina que parecia do mesmo tamanho dela. Os três disseram que o pai não estava, mas que ela entrasse que eles pegariam as paçoquinhas que ela queria. Entrou. Os três mostraram a ela aquele montão de paçoquinhas que estavam prontas e depois deixaram que ela também lambesse uma colher suja das paçoquinhas que ainda estavam sendo preparadas. Brincaram um pouco e logo os meninos começaram a dizer algumas coisas que não entendia muito bem mas sabia que não eram coisas que eles falariam se os pais estivessem em casa. A menina ria e ela riu também. Quando todos concordaram em brincar de papai e mamãe concordou em brincar também. Durante a brincadeira os três disseram que para dormir as mamães precisavam tirar a calcinha e então tirou. O menino menor pegou correndo a calcinha e a escondeu. Pensou que se chegasse em casa e contasse para a mãe que tinha deixado um menino esconder sua calcinha e voltava sem ela porque não pôde encontrá-la a mãe daria nela uma surra de vara e até poderia contar ao pai quando chegasse em casa do trabalho e ele lhe daria uma surra muito maior, de cinta, com a fivela que deixava marcas quase sangrentas. Então toda a brincadeira deixou de ser brincadeira e começou a chorar e a pedir que lhe devolvessem sua calcinha. As três crianças riam dela e depois de submetê-la à tortura pelo medo da surra ou das surras que levaria em casa devolveram-lhe sua calcinha quando pensaram ter ouvido os pais que vinham chegando. A calcinha estava escondida debaixo de uma frigideira muito grande que era usada na preparação das paçoquinhas. Saiu da casa ainda chorando e sem levar as paçoquinhas que havia comprado. Teve que se esconder numa moita para vestir a calcinha e enxugar as lágrimas antes de chegar a casa. Que a mãe não percebesse que tinha chorado! Jurou que nunca mais voltaria àquela casa, nem por todas as paçoquinhas do mundo e que, quando começassem as aulas não seria amiga de nenhuma daquelas três crianças que sentiam prazer em torturar os outros.

O primeiro dia de aula chegou finalmente! Mas no caminho da escola ouviu alguém gritar de trás de uma moita na beira da estrada cadê minha calcinha? Lembrou do dia que foi comprar paçoquinha e sentiu medo e raiva ao mesmo tempo, mas como não viu quem gritava pensou que fosse o moleque menor. Planejou ameaçar bater nele se não parasse com essa brincadeira boba. Se sua mãe ouvisse, ainda poderia apanhar. Na escola se assustou tanto que não soube bem o que fazer. Muitos meninos olhavam para ela e riam, faziam a brincadeira de um perguntar cadê a minha calcinha e outro responder tá debaixo da frigideira e depois os dois caírem na gargalhada. Por medo e vergonha, optou por fazer de conta que não sabia do que se tratava, não sabia o que eles queriam dizer com aquilo. Afirmou para as amigas que não estava entendendo nada e que não se importava nem um pouco com aquela brincadeira de palhaços que não têm o que fazer. A verdade é que estava se sentindo mal, muito mal. Sentia-se humilhada. O primeiro dia de aula não teve o gosto bom que esperou.

No dia seguinte uma menina cujo irmão estava entre os que ficavam rindo dela contou que perguntou ao irmão e ele disse que a brincadeira era porque ela foi na casa do Paulino e fez besteira com ele e com o irmão dele, que eles até esconderam a calcinha dela debaixo da frigideira e que ela tinha chorado e pedido que devolvessem a calcinha para ela. Como no dia anterior ela tinha dito que não sabia de nada, sentiu que não podia voltar atrás e afirmou que era mentira, que não tinha acontecido nada daquilo e que ela nunca tinha nem brincado com aqueles meninos. Foi bastante firme na negação, tanto que algumas meninas acreditaram nela e tomando suas dores tentaram defendê-la sempre que possível. Mas não foi tão convincente a ponto de conseguir que os meninos parassem com a brincadeira de mau gosto e a coisa toda chegou até sua casa. Sua mãe soube, seu pai soube e vieram perguntar a ela o que aconteceu. Aí então é que ela foi convincente de verdade! Impulsionada pelo medo de apanhar negou tudo, chorou com a verdade que havia em toda a humilhação pela qual estava passando dia após dia desde que começaram as aulas. As lágrimas e soluços convenceram e enfureceram seu pai, que saiu de casa e foi até a casa dos meninos para pedir que parassem com a brincadeira. A mãe ficou assustada, temerosa de que o pai, levado pela raiva, fizesse alguma loucura. Mas ela o viu voltar ainda mais raivoso e humilhado. Disse que os meninos confirmaram tudo e que os pais dos meninos deram apoio aos filhos e disseram que a filha dele é que devia ser repreendida por andar fazendo besteira com os moleques como uma puta.

Todo o ano e durante vários anos suportou a tortura, a humilhação de ser, aos oito anos de idade, tratada como se fosse uma prostituta pelos meninos do bairro e até por alguns pais que vinham conversar com ela para saber se ela podia fazer besteira com eles também, e por algumas mães que proibiam as filhas de brincar com essa menina mal falada. Quando se tornou adulta soube que nem mesmo uma prostituta de verdade merece ser tratada dessa forma. Não pôde fazer nada para se defender além de continuar negando e negando sempre e mostrar, de todas as formas possíveis, que para uma criança tão pequena não eram muitas, o desprezo e a raiva que tinha daqueles meninos que a humilhavam tanto. Pôde fazê-lo no dia que jogou uma pedra em um grupo que se divertia em acompanha-la com as brincadeiras de sempre. A pedra acertou as costas de um deles e o menino saiu muito machucado. Foi levado ao médico e teve que levar pontos no ferimento. A mãe foi com ele até sua casa disposta a brigar em troca da agressão. Quando contou que atirara a pedra porque ele estava, junto com outros meninos, falando mal dela a mãe, uma mulher cuja lembrança guardaria com carinho para o resto da vida, virou para o filho e disse raivosa. Então é isso? E você me faz vir até aqui passar vergonha, seu desgraçado! Se eu soubesse disso teria te esfregado o machucado com pimenta. Deu vários tabefes no filho, desculpou-se com ela e com sua mãe. Aquele menino nunca mais participou das humilhações que faziam a ela.

Outra vez aconteceu na sala de aula na quarta série. Todos tinham medo da professora, ouviam contar que ela batia com a régua e puxava a orelha com tanta força que chegava a cortar e sangrar e ficava vermelha durante vários dias. Era o começo do ano e ninguém tinha visto nenhum daqueles horrores, na dúvida ela procurou ser ainda mais comportada do que o normal para não correr o risco de ter as orelhas arrancadas. Nem se espantou quando um menino que era novo na escola mas que tinha aderido com muito entusiasmo ao passatempo de humilhá-la, virou-se na carteira e falou baixinho cadê minha calcinha. Vários meninos riram, como sempre e como sempre ela esperou que a professora fizesse psiu e ignorasse. Mas ela não ignorou. Perguntou ao menino o que ele estava dizendo e ouviu a história que todos contavam e que o menino repetiu com seu sorriso malicioso. Ela não se virou como quase todos os outros alunos. Olhou para fora da sala para esconder as lágrimas. Haveria de se lembrar durante toda a vida o som forte do soco que a professora deu na mesa. E se lembraria para todo o sempre com respeito e muito carinho a expressão da professora quando olhou para o menino e falou com os lábios contraídos, os olhos bem abertos e uma força na voz que não admitia discussão dentro da minha sala de aula eu não admito esse tipo de brincadeira idiota e de mau gosto, e continuou falando muito e fez com que o menino pedisse desculpas e o jeito e as coisas todas que ela falou pareceu fazer com que a classe inteira sentisse vontade de pedir desculpas e fizeram com que ela chorasse ainda mais nem de tristeza nem de alegria mas de amor por essa professora que sentiu como uma mulher forte e humana como ela queria muito ser um dia.

Os meninos continuaram fazendo a brincadeira do cadê minha calcinha no caminho da escola e em qualquer lugar onde a encontravam, mas nunca dentro da sala de aula e alguns dos que estudavam na mesma sala mudaram o comportamento para com ela e não participavam mais das brincadeiras. Nem fora da sala da professora Neusa. Aos poucos, muito aos poucos, a tortura foi diminuindo e quando chegou à sexta série eram poucos os gritos de cadê a minha calcinha que ouvia no caminho da escola, mas sabia quais eram os donos dos gritos e os donos dos risos e por isso quando a professora de educação física começou a organizar os pares para a quadrilha e a colocou com um menino cujo riso ela conhecia muito bem afirmou com ele eu não danço. A professora bem que tentou impor sua vontade pelo medo, ameaçou, ordenou, afirmou que era por causa da altura e que teria que dançar com ele de qualquer jeito. O menino ficou calado e seu rosto ficou muito vermelho. Só era corajoso no grupo. Não voltou atrás sob nenhum tipo de ameaça. Recusou-se a ficar perto do menino, cruzou os braços e a tudo que a professora falava ela apenas respondia que com aquele menino não dançaria.

A professora então não pôde encontrar outra solução senão procurar em outra sala um menino da altura certa e pedir-lhe que dançasse com ela. Não o conhecia, mas dançou com ele e fez dele um de seus amigos mais queridos até bem depois do final da oitava série. Uma menina muito bonitinha e delicada que estava brincando com ela teve que correr para casa quando a mãe gritou filha, vem já pra casa. Você sabe que seu pai não quer que você brinque com certas crianças. Sua mãe ouviu e sentiu uma mágoa que não se apagou nunca e ela nem se importou muito, não sabia que a mãe ouviu, já estava acostumada com aquilo, apenas ficou sozinha no campinho onde quase todas as crianças do bairro costumavam brincar. Deitou-se na grama e ficou olhando o céu.

Quando já tinha 12 anos, encontrou na rua o pai de uma amiga cuja casa frequentava, ele falou com ela de forma muito simpática e ela ficou feliz por ser tratada com tanta deferência pelo homem que sempre parecera tão bravo e sério. Mas de repente ele começou a falar dos seus peitinhos que já estavam apontando e disse que como tinha feito besteira com outroS meninoS, ela devia experimentar fazer com um homem de verdade, veria que era bem mais gostoso. Ficou muda e saiu andando sem olhar direito para onde. Voltou pra casa muito triste, chorou muito mas continuou a frequentar a casa da amiga, apenas nunca mais se deixou pegar a sós pelo pai dela. Nunca contou a ninguém o que aconteceu no meio da rua.

Desde os oito anos de idade suportou a humilhação de ser tratada como uma prostituta, muitos anos passaram antes que os risos desaparecessem do bairro. Por causa da solidão forçada, da vergonha que nunca acabava, criou o hábito de deitar na grama do campinho e ficar olhando o céu. As nuvens passavam tão altas! e acima das nuvens ela conseguia “enfiar” o olhar mais longe e perceber que ainda tinha tanto e tanto céu! então se sentia muito pequena. E quanto mais olhava o céu, melhor conseguia ver que a mãe da menina bonitinha e delicada era muito pequena, que os meninos que riam e perguntavam cadê minha calcinha eram muito pequenos, que o pai de sua amiga era muito pequeno, que diante daquele céu onde o olhar não encontrava muro, todos eram pequenos muito pequenos mesmo, e não tinham nenhuma importância.

25 de janeiro de 2017

PROJETO: TRABALHO COM FRASES E MICROCONTOS



PROJETO: TRABALHO COM FRASES E MICROCONTOS
Profª. Divina de Jesus Scarpim

Justificativa:

Constantes dificuldades são encontradas pelos professores de português quando tentam interessar os alunos por textos longos e, principalmente, quando tentam trabalhar pontos e tópicos de gramática (ortografia, fonética, sintaxe) a partir de textos longos, como os que costumeiramente estão presentes nos livros didáticos. Em geral a maior parte dos alunos sequer lê os textos apresentados e, quando o fazem, têm dificuldade para ler com a devida atenção e dessa forma estabelecer as relações semânticas muitas vezes solicitadas pelo próprio conteúdo do texto. Pensando nesses problemas, o projeto ora apresentado vem propor o uso de textos curtos como opção para o estudo mais acurado da língua portuguesa em sala de aula. Nesse primeiro momento a proposta é trabalhar com frases, a partir das quais se pode ensinar principalmente, mas não apenas, as características dos textos de informação, propaganda, argumentação e dissertação; e com microcontos, a partir dos quais se pode ensinar principalmente, mas não apenas, as características da narração.

Vantagens:

Textos curtos, como frases e microcontos, podem, em uma única aula, sem grandes dificuldades e oralmente, ser lidos, relidos, desenvolvidos, debatidos, ampliados, extrapolados, relacionados uns aos outros, relacionados a conhecimentos prévios, provocar oportunidades de aquisição de novos conhecimentos, oportunizar temas para pesquisa, despertar interesse por determinados assuntos, divertir, ser objeto de demonstração prática de diversas características peculiares da linguagem e seu uso, entre outras possibilidades, sem cansar ou aborrecer os alunos e, com sorte e cuidado, fazer com que eles mal percebam que estão aprendendo e não apenas tendo uma aula “diferente”.

Público alvo:

Alunos do sexto ao nono ano do Ensino Fundamental II e alunos do primeiro ao terceiro ano do Ensino Médio.

Obs: Na verdade, cuidando da seleção dos textos usados e da forma de apresentá-los, o projeto, com poucas alterações, pode ser aplicado a quaisquer séries. Mesmo às classes de alunos não alfabetizados.

PROPOSTA INICIAL
Que pode ser adaptada a cada turma e professor

Material necessário:

Além dos eternamente disponíveis “giz e saliva”, pode-se desenvolver esse projeto apenas com os textos e dicionários. Caso a escola conte com mais recursos, podem ser usados muitos outros materiais como lápis e canetas coloridas, papeis diferentes, como cartolinas, papel cartão e outros; e até mesmo computadores e vídeos. Dependendo do(a) professor(a), da escola e das turmas.

Tempo necessário:

Todo o ano letivo, sendo o primeiro semestre com frases e o segundo com microcontos.

Obs: O projeto pode levar quanto tempo o professor julgar necessário, e pode, inclusive, ser intercalado com outros projetos e com outros procedimentos pedagógicos, a critério do(a) professor(a).


Descrição:

A cada dia o(a) professor(a) colocará uma frase (primeiro semestre) ou um microconto (segundo semestre) no quadro e trabalhará com os alunos a leitura, leitura em voz alta, compreensão, características, etc.
Dependendo da frase usada e da opção do(a) professor(a), este poderá solicitar que os alunos, em sala, procurem no dicionário eventuais palavras desconhecidas, que, em casa, pesquisem algo a respeito do tema tratado, do autor da frase, do conhecimento prévio necessário para o completo entendimento da frase, e/ou outras possibilidades que surgirem.
Caso o tema tratado na frase dê essa oportunidade, o professor poderá ainda solicitar dos alunos uma produção de texto, que pode tanto ser uma redação quanto um texto curto aos moldes da própria frase apresentada.

Obs: Caso o(a) professor(a) esgote as extrapolações e estudos paralelos propiciados por aquela frase antes do final da aula, pode usá-la para criar, junto com os alunos, um “desafio” no estilo dos que vêm em revistas de palavras cruzadas como as do grupo Coquetel ou Recreativa e leva-lo a uma outra turma para que alunos que não conhecem a frase resolvam o problema. Ou pode ainda, colocar outra frase no quadro e começar novas explorações.

Avaliação:

Todo o processo de avaliação, ou avaliações, deve ficar a critério do(a) professor(a) uma vez que as atividades solicitadas a partir das frases trabalhadas vão depender das próprias frases e do conteúdo que o(a) professor(a) vai trabalhar a partir delas.

Exemplo de desafio:

AO CAIR DAS LETRAS

As letras de cada coluna caem para as casas diretamente abaixo delas, mas não necessariamente na ordem em que estão. Depois da transposição das letras nas casas corretas, teremos na parte de baixo do esquema um pensamento do teólogo e filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard (1813-1855).

A
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Q
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C


A

S







































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Resposta:

A porta da felicidade abre só para o exterior, quem a força em sentido contrário acaba por fechá-la ainda mais.





EXEMPLO DE FRASE E POSSIBILIDADES DE TRABALHO:


Frase:

Se você se sente só é porque construiu muros em vez de pontes.
Joseph F. Newton


Sugestões de atividades:

O(a) professor(a) começa colocando apenas a frase no quadro (sem o nome do autor) e pedindo para que os alunos a leiam. Depois pergunta quem entendeu, quem não entendeu. Ouve as respostas, pergunta quem concorda, levanta possibilidades. Aproveita para mostrar que as palavras “ponte” e “muro” estão sendo usadas no sentido figurado e que são metáforas. Define metáfora, pergunta metáfora de que são as duas palavras em questão. Enfim, a compreensão e a extrapolação livre dependem da turma e do(a) professor(a) e essa atividade pode dar muitos frutos.

Em seguida o(a) professor(a) pode ensinar uma palavra nova e seu significado: A palavra “paráfrase” e criar, junto com os alunos, uma ou mais paráfrases da frase que acabaram de ler e oferecer “um pontinho” aos alunos que trouxerem o nome do autor da frase.

Na leitura das próximas frases, o(a) professor(a) pode pedir paráfrases por escrito como atividade valendo nota.

A correção das paráfrases no quadro e o pedido da pesquisa do nome do autor da frase podem se tornar uma atividade frequente.

            O(a) professor(a) pode propor, por exemplo: “Agora vamos ler a gramática da frase” e perguntar por que o “porque” da frase está junto? Por que o verbo “construir” está no singular? A quem esse “se” se refere? Como ele se chamaria em “gramatiques”? Por que seu “nome em gramatiques” é esse?

            No final o(a) professor(a) pode ensinar os alunos a elaborarem o problema “Ao cair das letras”, construindo-o com eles, pedir que alguém o copie do quadro e levar o problema para começar o mesmo trabalho, a partir dele e não da frase, em outra turma.

            A partir do estudo de frases é possível também trabalhar temas transversais, como preconceito, intolerância, cidadania, política, história; ou seja, é possível encontrar e usar frases de pensadores, filósofos e estudiosos de qualquer tema relevante que se queira trabalhar, incluindo temas usados nas redações de vestibulares e ENEM.

            É aconselhável, para que a atividade não se torne tediosa, incluir frases humorísticas com frequência. Outra forma de tornar a atividade mais interessante é pedir, ou aceitar, que os próprios alunos coloquem no quadro frases que eles querem que sejam trabalhadas. É comum que se ofereçam para isso e agrada muito a eles que esse oferecimento seja aceito.