22 de junho de 2020

A MALDADE DENTRO E FORA DA RELIGIÃO


O triste, triste mesmo, é que as pessoas são mais más do que boas, independentemente de serem religiosas ou não.

Isso é triste porque os escrotos aproveitadores, egoístas ou simplesmente maus, são muitos, estão em todos os lugares e pertencem a todos os grupos.

Daí os religiosos realmente bons (apesar da religião a que aderem) acabam sendo minoria entre os que são e os que podem se tornar maus.

Há os religiosos que não são, em princípio, maus, mas são facilmente transformados em maus (ou expõem facilmente seu lado mau) se tiverem um líder adequado. Ou seja, são facilmente manipuláveis e podem ser levados ao bem ou ao mal de acordo com o líder que seguem. Esses são muito numerosos!

Tem os religiosos que não se mostrariam maus em outras circunstâncias porque são medrosos demais para agir contra o que “está escrito”. Mas esses, se tiverem um líder ou um contexto que possa convencê-los de que seus atos são justificados pela religião, deixarão facilmente a ambição de liderança, a mal disfarçada sede de poder, ou a simples megalomania transformá-los em "paladinos da moral", "enviados de deus" ou "escolhidos em sacrifício" porque eles estão ansiosos para serem convencidos de que foram destinados a ser “o braço”, “a mão”, “a voz”, “a ira” de seu deus  - ou outra nomenclatura que esteja na moda. Em nome disso, atrás desse escudo inventado e recebido de bom grado, esses religiosos praticarão atos de refinada crueldade sem pestanejar. Torquemada que o diga!

Entre os ateus acho que não é assim tão diferente. Afinal, ateus também são humanos! Então, por mais que muitos religiosos preguem e muitos acreditem que não é possível, o fato é que existem também muitos ateus que são bons, que praticam o bem simplesmente porque é a coisa certa a fazer. Sem esperar e sem crer em recompensa. Fazem porque sentem empatia pelo ser humano, pelo animal, pela natureza, pela vida que sabem ser única.

Mas também há os ateus que são maus, aproveitadores, megalomaníacos e ambiciosos. Afinal, se em todos os grupos humanos há os bons e os maus, por que entre os ateus seria diferente? Esses ateus maus não podem deixar de ver as vantagens de se fingir de religiosos para se aproveitar e faturar em cima, principalmente do segundo grupo de religiosos que citei acima: Os manipuláveis, as ovelhas, os que não são maus mas que aceitarão e concordarão com qualquer tipo de maldade que um líder esperto afirme ser "a vontade de deus".

Essas ovelhas são capazes de concordar, financiar e – quando se reúnem em grandes grupos – praticar terríveis atrocidades achando mesmo que estão praticando o bem e salvando o mundo. Períodos sinistro e episódios sanguinários da história da humanidade tiveram esse tipo de ateus e religiosos maus e esse tipo de ovelhas como protagonistas.

E agora, aqui no Brasil, vem despontando uma triste e - na minha visão pessimista – irrevogável volta desse último exemplo. Não consigo deixar de pensar que muitos desses grandes e milionários líderes das bancadas religiosas e das religiões neopentecostais são ateus maus sedentos de fortuna e poder que, travestidos de religiosos, estão se aliando a religiosos tão maus e tão sedentos de poder quanto eles.

Juntos, esses ateus maus e esses religiosos maus (como saber quais são uns e quais são outros?) vêm arrebanhando imensas manadas de orgulhosas ovelhas prontas a seguir cegamente suas ordens.

Com votos e dinheiro, as ovelhas vão continuar justificando, financiando e apoiando suas atrocidades até que um dia – talvez – alguém consiga fazer com que parem de balir tempo suficiente para perceberem que estão sendo manipuladas. Se é que ovelhas têm cérebro suficiente para isso.

Quanto tempo vai demorar para que essa libertação aconteça? Não sei. Da última vez que tomaram o poder demorou séculos, não foi?

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