Essa coisa de condições dos
presídios e direitos dos presidiários é assunto bastante complicado. Parece
haver dois pontos extremos: os que acham que os presidiários deviam ser
simplesmente mortos e que não se fale mais nisso; e os que defendem que sejam
quase que "paparicados" pelo poder público, como se fossem todos
crianças inocentes. Entre esses dois extremos suponho que haja uma gama de
nuances cuja extensão não tenho como saber qual seja; o que sei é que estou
nesse meio termo, bem mais para o extremo de “paparicar” do que para o de matar,
e eu substituiria o “paparicar” pelo “educar e tratar como gente”. Mas nem sei
exatamente em que ponto dessa proximidade estou porque sei que tem gente nessa
ponta que luta pelo fim dos presídios e eu sou incompetente para me colocar
nessa batalha.
Quanto aos asilos e clínicas para idosos, não vejo a possibilidade de
comparação delas com um presídio de outra forma se não como a obviedade de que
a sociedade
como um todo não quer e não pretende sequer pensar nas condições dos velhos.
Veja que não estou criticando quem fez essa comparação, estou criticando a
conjuntura social que permite que essa comparação seja feita, e com vantagem
para o presídio. Como em muitos outros pontos, somos socialmente doentes, a
sociedade é propositadamente cega, egoísta ou indiferente não só com relação
aos velhos, mas em geral a qualquer grupo desfavorecido. Gostamos de posar de
bonzinhos, mas gostamos mais ainda de não ver (para não ter que pensar neles)
os que sofrem tanto que, caso não fôssemos tão egoístas, há muito tempo teriam
jogado por terra a nossa certeza de que a vida é bonita.
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