22 de junho de 2020

ASILOS E PRISÕES


Essa coisa de condições dos presídios e direitos dos presidiários é assunto bastante complicado. Parece haver dois pontos extremos: os que acham que os presidiários deviam ser simplesmente mortos e que não se fale mais nisso; e os que defendem que sejam quase que "paparicados" pelo poder público, como se fossem todos crianças inocentes. Entre esses dois extremos suponho que haja uma gama de nuances cuja extensão não tenho como saber qual seja; o que sei é que estou nesse meio termo, bem mais para o extremo de “paparicar” do que para o de matar, e eu substituiria o “paparicar” pelo “educar e tratar como gente”. Mas nem sei exatamente em que ponto dessa proximidade estou porque sei que tem gente nessa ponta que luta pelo fim dos presídios e eu sou incompetente para me colocar nessa batalha.

Quanto aos asilos e clínicas para idosos, não vejo a possibilidade de comparação delas com um presídio de outra forma se não como a obviedade de que a sociedade como um todo não quer e não pretende sequer pensar nas condições dos velhos. Veja que não estou criticando quem fez essa comparação, estou criticando a conjuntura social que permite que essa comparação seja feita, e com vantagem para o presídio. Como em muitos outros pontos, somos socialmente doentes, a sociedade é propositadamente cega, egoísta ou indiferente não só com relação aos velhos, mas em geral a qualquer grupo desfavorecido. Gostamos de posar de bonzinhos, mas gostamos mais ainda de não ver (para não ter que pensar neles) os que sofrem tanto que, caso não fôssemos tão egoístas, há muito tempo teriam jogado por terra a nossa certeza de que a vida é bonita.

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