A frase é de Carl Sagan
e me fez pensar muito. O espaço é imenso, são tantas galáxias e tantos
planetas, talvez muitos deles habitados. O tempo é tão vasto, tanto para trás
quanto para frente; quantos anos, quantas décadas, quantos séculos, quantos
milênios transcorreram antes do meu nascimento, no tempo em que eu era nada?
Quantos anos, quantas décadas, quantos séculos, quantos milênios transcorrerão
depois da minha morte, no tempo imenso em que eu serei novamente nada? Esse
ínfimo intervalo entre um nada e outro nada que sou eu poderia ter ocorrido em
qualquer tempo antes, em qualquer tempo depois, mas ocorreu agora, ocorreu no
tempo em que eu pudesse encontrar as pessoas que amo, ocorreu no tempo em que
eu pudesse conhecer os livros, os poemas, as músicas que me emocionam.
Sim, o que diz a frase
é fato e posso dizer isso a cada uma das pessoas que são, que foram e que serão
importantes para mim; a cada amigo, a cada colega, a cada uma das pessoas com
quem convivo e convivi. Mas (sempre tem um “mas”) quantas pessoas que eu teria
achado maravilhosas não pude conhecer? Quantas pessoas que eu teria amado?
Quantas pessoas que teriam sido imensamente importantes para mim eu não conheci?
Quantas pessoas e quantas coisas maravilhosas não pude e não poderei conhecer
por ter nascido nesse tempo e não em outro? Não vou saber a resposta nunca,
então, mesmo continuando a dizer que a frase é verdadeira e poderia ser dita
por mim a cada pessoa maravilhosa que cruzou e cruzará o meu caminho, fica a
questão: Quem e como seriam as pessoas maravilhosas que nunca conheci, que nunca
conhecerei e com quem jamais pude ou poderei conviver?
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