Leis regem nossa vida
desde antes do nosso nascimento até muito depois de nossa morte. Cada atitude
que tomamos, tudo que fazemos ou que fazem conosco está sob a fiscalização, a
validade, a possibilidade de violação ou a necessidade do cumprimento de alguma
lei.
Podemos ou não ser
mortos antes do nosso nascimento dependendo do lugar e da situação em que somos
concebidos porque existem leis que proíbem ou autorizam o aborto. Somos
cuidados e amparados pela família e pelo Estado de acordo com as leis que os obrigam
a isso e até a data que estas leis determinam. Estudamos em instituições
públicas ou privadas que nos transmitem alguns conhecimentos que e da maneira
que as leis permitem e determinam. Uma vez formados trabalhamos em empresas que
nos pagam e exigem de nós o tempo e a dedicação ao trabalho de acordo com o que
rezam as leis; ou, se abrimos ou administramos uma empresa, o fazemos,
remuneramos e exigimos dos nossos funcionários de acordo com as determinações
legais. E quando morremos a transmissão dos nossos bens, o que é feito dos
nossos corpos, nossos registros de óbito e até o tempo para e de sepultamento
são determinados de acordo com as leis.
E as leis são escritas,
lidas e interpretadas; são relacionadas e comparadas com e são complementadas
por outras leis em situações e de formas diversas. E são manipuladas,
desvirtuadas, distorcidas e mutiladas de acordo com o que sua redação e sua
leitura permitem. Leis podem ajudar a promover e consolidar a justiça ou a
injustiça de acordo com a adequação ou inadequação à situação em que se
aplicam; correção ou incorreção do seu texto; clareza ou ambiguidade de seus
alvos e objetivos e uniformidade ou variedade de sua interpretação.
Em cada uma de nossas
atitudes individuais ou coletivas estamos obedecendo ou transgredindo uma ou
várias leis, por essa razão importa a nós sempre e qualquer que seja nossa
atividade, nossa idade, grau de civilização ou nível de conhecimento saber a
forma como essas leis são discutidas, redigidas e postas em vigor e as punições
determinadas no caso da transgressão dessas leis. A existência e maior eficácia
desse conhecimento tão necessário será sempre diretamente proporcional ao
conhecimento que temos da língua. Ou seja, quanto maior for o conhecimento da
língua em que são redigidas as leis, maior será nossa possibilidade de
compreensão do teor e da aplicação dessas leis e, consequentemente, das implicações
que essas leis terão sobre nossa vida pessoal ou profissional.
Isso é verdade
independentemente de sermos os idealizadores, legisladores e responsáveis pela
elaboração e redação das leis; os policiais, juízes e promotores responsáveis
pelo seu cumprimento ou os cidadãos obrigados a agir de acordo com essas leis.
Qualquer que seja nossa atividade e posição, qualquer que seja nosso grau de
envolvimento, o fato é que estamos sempre e a todo momento envolvidos com as
leis e precisamos, em benefício até da nossa sobrevivência ou da sobrevivência
de nossos valores saber ler, compreender, conhecer e interpretar leis.
Se para nada mais servisse
o conhecimento da língua e de sua estrutura, bastaria essa realidade para fazer
com que todos necessitassem estudá-la e conhecê-la. O senador, deputado ou
vereador para melhor idealizar, elaborar e redigir as leis; o presidente,
governador ou prefeito para melhor compreendê-las antes de colocá-las em vigor;
o policial, o juiz e o promotor para melhor aplicá-las e o advogado para melhor
relacioná-las com a realidade do seu cliente.
E para saber de que
forma elas interferem em suas vidas e evitar que elas os prejudiquem ou
prejudiquem suas atividades e até para que não venham a cometer transgressões
que os tornem criminosos em maior ou menor grau; isso, claro, se não quiserem
sofrer as penalidades dessas leis, precisam conhecer mais e melhor sua língua o
empregado de uma empresa, qualquer que seja sua atividade e qualquer que seja a
atividade da empresa, o desempregado que foi demitido sem ou com justa causa, o
empresário, o prestador de serviço, o profissional da saúde, o educador, o pai,
a mãe, o marido, a esposa, o filho, o morador, o proprietário, o locador, o
locatário, o comprador, o vendedor, o cliente, o reclamante, o pedestre, o
motorista, o passageiro, o turista, o cidadão, o contribuinte, o estudante, o
adolescente, o paciente, o ouvinte, o expectador, o consumidor, o profissional
liberal, o aposentado, o deficiente físico, o segurado, o acompanhante, a
parturiente, o doador, o voluntário, o fiel, o crente, o religioso, o negro, o
branco, o índio, o estrangeiro, a vítima, o suspeito, o detido, o viciado, o
usuário de drogas, o doente, o padrasto, o filho natural, o companheiro, a
concubina, o produtor, o posseiro, o importador, o exportador, o vestibulando,
o candidato, o formando, o atleta, o participante, o torcedor, o treinador, o
grevista, o assinante, o investidor, o artista, o inventor, o descobridor, o
explorador, o piloto, o cobrador, o devedor, o cientista, o pacifista, o
naturalista, o leitor, o escritor, o ator, o internauta, o haker, o
programador, o usuário, o pirata, o pesquisador, o declarante, o procurador, o
financiador, o avalista, o curador, o tutor, o responsável, o visitante, o
profissional, o especialista, o homem, a mulher, a criança.
Se você não é e não
será um representante de nenhuma dessas atividades ou situações em nenhum
momento de sua vida então você pode dizer que o conhecimento da língua, de sua
estrutura, variedades linguísticas e possibilidades interpretativas é assunto
que absolutamente não lhe diz respeito e que você não precisa e não vai
precisar nunca desses conhecimentos. Caso contrário faça da gramática um
instrumento de cidadania, um objeto de pesquisa, um aliado e um alicerce para
as grandes realizações, descobertas e vitórias que o futuro trará para você.
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