24 de junho de 2020

AS LEIS E A LÍNGUA


Leis regem nossa vida desde antes do nosso nascimento até muito depois de nossa morte. Cada atitude que tomamos, tudo que fazemos ou que fazem conosco está sob a fiscalização, a validade, a possibilidade de violação ou a necessidade do cumprimento de alguma lei.

Podemos ou não ser mortos antes do nosso nascimento dependendo do lugar e da situação em que somos concebidos porque existem leis que proíbem ou autorizam o aborto. Somos cuidados e amparados pela família e pelo Estado de acordo com as leis que os obrigam a isso e até a data que estas leis determinam. Estudamos em instituições públicas ou privadas que nos transmitem alguns conhecimentos que e da maneira que as leis permitem e determinam. Uma vez formados trabalhamos em empresas que nos pagam e exigem de nós o tempo e a dedicação ao trabalho de acordo com o que rezam as leis; ou, se abrimos ou administramos uma empresa, o fazemos, remuneramos e exigimos dos nossos funcionários de acordo com as determinações legais. E quando morremos a transmissão dos nossos bens, o que é feito dos nossos corpos, nossos registros de óbito e até o tempo para e de sepultamento são determinados de acordo com as leis.

E as leis são escritas, lidas e interpretadas; são relacionadas e comparadas com e são complementadas por outras leis em situações e de formas diversas. E são manipuladas, desvirtuadas, distorcidas e mutiladas de acordo com o que sua redação e sua leitura permitem. Leis podem ajudar a promover e consolidar a justiça ou a injustiça de acordo com a adequação ou inadequação à situação em que se aplicam; correção ou incorreção do seu texto; clareza ou ambiguidade de seus alvos e objetivos e uniformidade ou variedade de sua interpretação.

Em cada uma de nossas atitudes individuais ou coletivas estamos obedecendo ou transgredindo uma ou várias leis, por essa razão importa a nós sempre e qualquer que seja nossa atividade, nossa idade, grau de civilização ou nível de conhecimento saber a forma como essas leis são discutidas, redigidas e postas em vigor e as punições determinadas no caso da transgressão dessas leis. A existência e maior eficácia desse conhecimento tão necessário será sempre diretamente proporcional ao conhecimento que temos da língua. Ou seja, quanto maior for o conhecimento da língua em que são redigidas as leis, maior será nossa possibilidade de compreensão do teor e da aplicação dessas leis e, consequentemente, das implicações que essas leis terão sobre nossa vida pessoal ou profissional.

Isso é verdade independentemente de sermos os idealizadores, legisladores e responsáveis pela elaboração e redação das leis; os policiais, juízes e promotores responsáveis pelo seu cumprimento ou os cidadãos obrigados a agir de acordo com essas leis. Qualquer que seja nossa atividade e posição, qualquer que seja nosso grau de envolvimento, o fato é que estamos sempre e a todo momento envolvidos com as leis e precisamos, em benefício até da nossa sobrevivência ou da sobrevivência de nossos valores saber ler, compreender, conhecer e interpretar leis.

Se para nada mais servisse o conhecimento da língua e de sua estrutura, bastaria essa realidade para fazer com que todos necessitassem estudá-la e conhecê-la. O senador, deputado ou vereador para melhor idealizar, elaborar e redigir as leis; o presidente, governador ou prefeito para melhor compreendê-las antes de colocá-las em vigor; o policial, o juiz e o promotor para melhor aplicá-las e o advogado para melhor relacioná-las com a realidade do seu cliente.

E para saber de que forma elas interferem em suas vidas e evitar que elas os prejudiquem ou prejudiquem suas atividades e até para que não venham a cometer transgressões que os tornem criminosos em maior ou menor grau; isso, claro, se não quiserem sofrer as penalidades dessas leis, precisam conhecer mais e melhor sua língua o empregado de uma empresa, qualquer que seja sua atividade e qualquer que seja a atividade da empresa, o desempregado que foi demitido sem ou com justa causa, o empresário, o prestador de serviço, o profissional da saúde, o educador, o pai, a mãe, o marido, a esposa, o filho, o morador, o proprietário, o locador, o locatário, o comprador, o vendedor, o cliente, o reclamante, o pedestre, o motorista, o passageiro, o turista, o cidadão, o contribuinte, o estudante, o adolescente, o paciente, o ouvinte, o expectador, o consumidor, o profissional liberal, o aposentado, o deficiente físico, o segurado, o acompanhante, a parturiente, o doador, o voluntário, o fiel, o crente, o religioso, o negro, o branco, o índio, o estrangeiro, a vítima, o suspeito, o detido, o viciado, o usuário de drogas, o doente, o padrasto, o filho natural, o companheiro, a concubina, o produtor, o posseiro, o importador, o exportador, o vestibulando, o candidato, o formando, o atleta, o participante, o torcedor, o treinador, o grevista, o assinante, o investidor, o artista, o inventor, o descobridor, o explorador, o piloto, o cobrador, o devedor, o cientista, o pacifista, o naturalista, o leitor, o escritor, o ator, o internauta, o haker, o programador, o usuário, o pirata, o pesquisador, o declarante, o procurador, o financiador, o avalista, o curador, o tutor, o responsável, o visitante, o profissional, o especialista, o homem, a mulher, a criança.

Se você não é e não será um representante de nenhuma dessas atividades ou situações em nenhum momento de sua vida então você pode dizer que o conhecimento da língua, de sua estrutura, variedades linguísticas e possibilidades interpretativas é assunto que absolutamente não lhe diz respeito e que você não precisa e não vai precisar nunca desses conhecimentos. Caso contrário faça da gramática um instrumento de cidadania, um objeto de pesquisa, um aliado e um alicerce para as grandes realizações, descobertas e vitórias que o futuro trará para você.

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