24 de junho de 2020

ARMA E PENA DE MORTE

(Escrito antes do Bozobosta)

        A arma não é vilã por si só; arma é um instrumento de morte e o ser humano não é fundamentalmente bom. Toda uma cultura, toda uma história, toda uma base educacional, e até mesmo posição geográfica e extensão territorial tem que estar envolvidas na análise desses assuntos. Não é simplesmente botar armas nas mãos das pessoas que vai melhorar uma sociedade; pelo contrário na maioria dos casos, se não em todos.

Arma nas mãos dos cidadãos não inibe a atividade dos bandidos, da mesma forma que a pena de morte não diminui a criminalidade. Foucault, no livro "Vigiar e punir" já mostra isso. O que diminui a criminalidade é melhor qualidade de educação e melhor distribuição de renda, não é ter arma em casa ou condenar pessoas à morte.

Arma na mão de cidadãos comuns não me parece segurança, parece mais perigo. E ter pena de morte não me parece ser algo que torna um país melhor. Nos EUA temos tristes notícias de crianças e adolescentes matando colegas de escola, o caso da escola daqui do Rio foi imitação de uma “moda”. Imitação de uma "moda" que começou nos EUA, onde arma é permitida.

Pena de morte também, na minha visão, não é prova de progresso, pelo contrário, é prova de barbárie. Nos EUA, mesmo com toda a "perfeição" da lei, volta e meia se ouve falar em inocentes que foram condenados. E não precisa ter muitos não, na minha opinião, se tiver um só já é muito.

Não estou dizendo que o Brasil seja melhor, longe de mim dizer isso de um lugar onde a impunidade corre solta e a lei só pega preto e pobre. Estou dizendo que mesmo nos países civilizados, armas nas mãos de cidadãos comuns causam muitos problemas, alguns deles bem sérios.

Se são poucos os casos e ter arma vale a pena mesmo correndo o risco, acho que é uma opinião um tanto quanto discutível. Cabe perguntar quantas crianças mortas é preciso ter para se considerar os “poucos” casos como muitos.

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