Talvez até haja um
pouco de preconceito da minha parte nisso e eu esteja errada, mas acho que não;
sempre vi teologia como um estudo ligado a uma religião, sempre penso em
teologia como uma tentativa de colocar lógica na fé, que é por si só algo
ilógico. Não sei muito sobre teologia, mas só vejo esses cursos ligados a
instituições religiosas, daí que, me perdoem se eu estiver blasfemando, mas
nunca consegui encarar teologia como uma ciência. Por conta disso fui para a
filosofia. Fiz uma pós graduação e, para minha surpresa, eu era a única ateia
da turma quando tinha pensado que encontraria muitos iguais por lá! Havia religiosos
bastante convictos, não só entre os alunos mas também entre os professores.
Isso batia bem com o que me disse uma amiga na época: “São pessoas, estão por
toda parte”. Na época só não conseguia ver muito onde estavam as pessoas que eram
ateias como eu.
Outra coisa com que não
consigo concordar, ainda nas malhas da teologia e que volta a meia alguém
afirma, é isso de que a ciência, a filosofia e a religião podem andar juntas.
Ciência e filosofia sim, sem dúvida podem e devem andar juntas, são irmãs, são
mãe e filha, são complementares e consequência uma da outra. A ciência pesquisa
e descobre que algo é assim, a filosofia pergunta por que é assim, o que
podemos inferir do fato de isso ser assim; a ciência dá uma resposta e volta-se
para a próxima pergunta, a filosofia pensa o que fazer com essa resposta e
elabora mais perguntas nesse processo. Mas a religião? A religião amarra a
ciência e submete a filosofia, a religião tem respostas prontas onde a
filosofia tem perguntas, a religião não aceita os avanços científicos e nega
provas na teima por seus dogmas. Na minha opinião, o casamento da filosofia e
da ciência com a religião só serve para atrasar qualquer avanço no pensamento
humano. Religião não busca conhecimento, ela se julga dona dele.
Uma prova do absurdo
desse casamento é o fato de se estar querendo forçar a que se ensine o
criacionismo junto com a teoria da evolução nas aulas de ciências. Não faz
sentido o casamento da liberdade de pensamento e pesquisa com a proibição da
liberdade em qualquer sentido ou campo em que essa liberdade se manifeste.
Outra coisa que, sem partir para a apelação dos radicalismos do oriente médio,
mostra bem a intransigência da religião e seu estranhamento quanto à ciência e
até quanto à ética, é o número de assassinatos de médicos que fazem aborto, e o
exemplo que foi notícia há algum tempo da excomunhão, por parte da igreja
católica, do médico e da mãe que, com a intenção de salvar a vida de uma menina
de nove anos estuprada pelo padrasto, optaram pelo aborto. Estas histórias, que
me dão nojo, não conseguem tirar os fiéis das igrejas e eu simplesmente não
consigo entender por quê.
Talvez eu esteja sendo
radical demais, mas acho que quando a religião fala em liberdade ela mente, e
eu vejo essa mentira e não gosto dela porque me parece uma mentira deliberadamente
construída com aparência de verdade para enganar e direcionar os pensamentos
para onde a religião quer que eles se direcionem. Não consigo me imaginar livre
sem poder, por exemplo, questionar a existência de deus a ponto de negá-lo,
olhar a vida e a história da mulher antes de condenar o aborto, ver as crianças
jogadas pela calçada das cidades grandes e me perguntar que raio de deus é esse
que permite algo assim em nome de uma abstração tão falsa quanto incoerente
chamada livre-arbítrio. Se minha liberdade tem que ser montada sobre uma
“verdade” construída, ela deixa de ser liberdade. É assim que a filosofia fica
quando se alia à religião.
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