Eu,
Divina de Jesus Scarpim (Professora aposentada), diante de uma situação de
doença grave em progressão e fora das possibilidades de reversão, apresento
minhas diretrizes antecipadas de cuidados médicos.
Se
chegar a padecer de alguma enfermidade manifestamente incurável, que me cause
sofrimento ou me torne incapaz para uma vida racional e autônoma, faço constar,
com base no princípio da dignidade da pessoa humana e da autonomia da vontade,
que aceito a terminalidade de minha vida e repudio qualquer intervenção
extraordinária ou inútil. Ou seja, qualquer ação médica pela qual os benefícios
sejam nulos ou demasiadamente pequenos e não superem os potenciais malefícios.
As
diretrizes incluem os seguintes cuidados: admito permanecer numa UTI (Unidade
de Tratamento Intensivo) somente se tiver alguma chance de sair em menos de dez
ou quinze dias. Não aceito que me alimentem. Se não puder demonstrar vontade de
comer, recuso qualquer procedimento de suporte à alimentação; não quero ser
reanimada no caso de parada respiratória ou cardíaca em situação terminal.
Acrescento
que logo após minha morte todos os meus órgãos aproveitáveis (se algum houver)
devem ser doados. Meu corpo também deve ser doado para a faculdade de medicina
que esteja mais próxima do local de minha morte para que seja usado como objeto
de estudo da forma que puder ser útil.
Depois
disso, se algo ainda houver, deverá ser cremado ou jogado fora conforme sejam os
procedimentos normais da faculdade.
Não
desejo, não quero e não permito que haja qualquer satisfação, cerimônia ou
destino ritual de meus restos mortais, como velório, enterro, esquife, túmulo
ou qualquer outro tipo de cerimônia fúnebre.
Como
ateia que sou não quero nenhum tipo de cerimônia religiosa, nem antes nem
depois da minha morte. Não quero extrema unção, missa de corpo presente, missa
de sétimo dia ou qualquer outro tipo de cerimônia de qualquer religião.
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